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Mercado financeiro melhora projeção do PIB pela 5ª semana seguida

Expectativa indica recessão de 5,66%, patamar estimado em maio; previsões para a inflação voltaram a cair e estão bem abaixo da meta traçada pelo governo

Por Larissa Quintino Atualizado em 3 ago 2020, 09h57 - Publicado em 3 ago 2020, 09h06

Analistas do mercado financeiro voltaram a estimar um tombo menor no desenvolvimento da economia brasileira deste ano. Segundo dados compilados pelo Boletim Focus, do Banco Central, e divulgados nesta segunda-feira, 3, a expectativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) recue 5,66% em 2020. Essa é a quinta semana consecutiva de melhora nas projeções. O processo de retomada das atividades econômicas, que culminou na melhora de alguns indicadores como indústria e comércio, puxam para menor pessimismo. A recomposição de renda trazida pelo auxílio emergencial a trabalhadores informais, que paga cinco parcelas de 600 reais a vulneráveis mais afetados pela crise, é um dos colchões que seguraram a economia brasileira durante a fase mais aguda da crise.

A projeção para o PIB começou a seguir, ao fim de fevereiro, uma curva de queda drástica, acompanhando os novos casos de Covid-19 e os anúncios das prefeituras e estados brasileiros sobre o isolamento social, devido a disparada do contágio da doença. Após as estimativas para o PIB ficarem estáveis em junho, os resultados a partir de então apontam para uma retomada. Apesar de não ser uma recuperação em “V”, é um indicativo de volta, mesmo que lenta, da economia.

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Apesar da melhora nas projeções apresentadas no último mês, a expectativa de recessão é significativa e atinge o país no ano em que se esperava uma reação da economia, que dava sinais de recuperação da crise vivida entre 2015 e 2016. No início do ano, a expectativa do mercado financeiro era de que a economia brasileira crescesse 2,3%, acima dos desempenhos de 2017 e 2018 (+1,3%) e 2019 (1,1%).

Além da recessão indicada pelo PIB, a pandemia de Covid-19 tem mais consequências em indicadores da economia brasileira. Por ser uma crise que afeta a demanda do consumo, há queda na inflação. Os economistas consultados pelo BC estimam que o IPCA, que mede a inflação oficial do país, termine o ano em 1,63%, abaixo da previsão da semana anterior, de 1,67%. O resultado esperado está abaixo da meta traçada, que é de 4%, e também abaixo da margem de tolerância, que varia entre 2,5% e 5,5% para este ano. Após deflação em abril e maio, o IPCA e junho foi positivo, indicando a retomada parcial do consumo. O resultado da inflação de julho deve ser divulgado nesta semana pelo IBGE. Para 2021 e 2022, a perspectiva continua em 3,00% e 3,50%.

A pesquisa mostrou também que a expectativa do mercado brasileiro sobre a taxa Selic se mantém igual à da semana anterior: em 2% para 2020, 3% para 2021 e 5% para 2022. Já o câmbio, que reflete as incertezas do Brasil e acaba sendo prejudicado pela baixa Selic, continua alto. A perspectiva do Focus é que o dólar fique em 5,20 no final de 2020. Para o final de 2021, a perspectiva permanece em 5 reais e para 2022, 4,80 reais.

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