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Garibaldi: reforma na Previdência não é viável antes de ‘reeleição de Dilma’

Ministro da Previdência Social afirmou que déficit histórico nas contas do INSS só será revertido após 2030

Por Da Redação 7 jun 2013, 15h42

O ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, mostrou que a análise da Standard & Poor’s (S&P) reduzindo a perspectiva positiva das condições macroeconômicas do Brasil não foi suficiente para afetar o discurso do governo sobre o déficit da Previdência.

Em evento a favor do emprego, na União Geral dos Trabalhadores (UGT), em São Paulo, ele afirmou que não é politicamente viável realizar algum tipo de reforma da Previdência, no momento. “Acredito que possa ocorrer, mas só depois da ‘reeleição de Dilma’, apenas no primeiro ano do segundo mandato de seu governo Dilma.”

De acordo com Garibaldi Alves, o Congresso terá de se aprofundar no tema, mas a preocupação do governo é que as mudanças não incidam sobre quem tem os direitos fixados. Nesta quinta-feira, a Previdência Social divulgou que o déficit em abril do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), sistema público que atende os trabalhadores do setor privado no país, somou 6,18 bilhões de reais em abril, com alta de 8,5% frente ao mesmo período de 2012.

Segundo ele, esse quadro só será revertido após 2030. Garibaldi Alves afirmou, no entanto, que o déficit é causado por conta de previdência rural. “O resultado da cobrança do PIS/Cofins deveria vir para a previdência, mas ele historicamente não vem. É isso que causa esse déficit, que é coberto pelo Tesouro”, disse.

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Para Garibaldi, apesar dessa situação, o país mantém uma situação de alguma sustentabilidade, se comparado, por exemplo, com alguns países da Europa. “Na Europa, está havendo corte de benefícios e aumento da idade mínima. Lá, há uma idade mínima – e aqui não. Este é um desafio”, disse, completando que o país tem que se preocupar com a situação também no futuro, por conta do envelhecimento da população.

Garibaldi descartou ainda alguma definição por parte do governo sobre o fim do fator previdenciário. “No momento não temos condições de oferecer propostas governamentais para isso. Em algum momento podemos ter alguma decisão no Congresso, mas o governo não tem uma alternativa para isso, dada a situação econômica.”

Brincadeira – Garibaldi contou aos participantes da reunião na UGT que pegou carona no avião do ministro Guido Mantega e brincou com a situação de seu primo, o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara, dizendo que ele vai mudar as políticas econômicas quando assumir interinamente a presidência da República amanhã – já que a presidente Dilma Rousseff e o vice, Michel Temer, devem viajar. “Disse a ele que o novo presidente ia mudar a economia e ele respondeu que apenas não gostaria de ser demitido”. Garibaldi, no entanto, fez questão de frisar que toda a conversa foi em tom de brincadeira.

Questionado sobre a avaliação do ex-ministro Delfim Netto, que disse em entrevista que somente a busca de um ajuste fiscal sério, especialmente pelo déficit nominal zero, irá resgatar a credibilidade do governo junto ao mercado, Garibaldi afirmou que “não está habilitado para dar opinião em um debate entre Delfim e Mantega”.

(Com Estadão Conteúdo)

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