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Fornecedor alemão da JBS nega culpa em escândalo da carne de cavalo

Empresa brasileira de processamento de proteína animal é suspeita de fornecer carne adulterada a Nestlé e acusa forneceder europeu

Em mais um capítulo do escândalo envolvendo a venda de produtos contendo carne de cavalo, a fornecedora da processadora de proteína animal JBS para a Europa, a alemã H.J. Schypke, apontada como culpada pela fraude, negou a responsabilidade.

Há dois dias, a polêmica envolvendo a fraude no comércio de carnes na Europa chegou à Nestlé, a maior empresa de alimentos do mundo. A companhia disse que havia comprado carne adulterada da JBS e que no lugar de carne bovina, o que estava em seus pratos era carne de cavalo. A companhia brasileira e a Nestlé alegaram que a culpa era do fornecedor alemão (H.J. Schypke), que havia vendido o produto ao JBS.

Na terça-feira foi a vez de os alemães rejeitarem qualquer responsabilidade, insistindo que compram seus produtos de �fornecedores certificados�. A Schypke admitiu que não era ela quem produzia a carne. Mas garante que jamais comprou carne de cavalo dos abatedouros da região. A empresa, que não quis se pronunciar, foi alvo de um mandado de busca pela Justiça alemã na segunda-feira. A procuradora Frauke Wilken indicou que havia �suspeita de fraude� nas atividades. Em comunicado, a Schypke insiste que jamais comprou carne de cavalo.

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Na segunda-feira, a Nestlé anunciou que estava retirando seus produtos das prateleiras da Espanha, Itália e França. Produtos como ravióli e tortellini, vendidos como de carne bovina, continham, na realidade, carne de cavalo. Após a divulgação do caso, a empresa se viu obrigada a suspender a distribuição de lasanha de carne para Portugal, Luxemburgo e Bélgica.

Em todos esses casos, o fornecedor da multinacional suíça era a JBS Toledo, empresa resultado da compra da belga Toledo em 2010 pelo grupo brasileira. �Suspendemos o fornecimento de todos nossos produtos fabricados que usam carne fornecida pela H.J. Shypke, subcontratada da JBS Toledo�, informou a Nestlé.

Segundo o escritório da empresa brasileira JBS na Bélgica, boa parte do fornecimento de carne para a Nestlé vem mesmo de importações que chegam do Brasil. Mas fontes confirmaram ao jornal O Estado de S.Paulo que, para driblar barreiras comerciais implementadas pelos europeus contra a carne brasileira, o JBS passou a comprar de fornecedores europeus.

(com Estadão Conteúdo)