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Fitch diz que plebiscito grego aumenta risco de quebra e de saída do euro

Bruxelas, 1 nov (EFE).- Um resultado negativo no plebiscito proposto pela Grécia sobre o plano anticrise europeu de resgate aumentaria os riscos de falta de pagamento e da saída do país da zona do euro, advertiu nesta terça-feira a agência de medição de risco Fitch.

‘Uma rejeição ao programa da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional recentemente negociado pelo Governo grego aumentaria o perigo de uma moratória soberana e (…) uma potencial saída da Grécia do euro’, afirma a agência de classificação de riscos.

Ambos os cenários ‘teriam implicações financeiras severas para a estabilidade financeira e a viabilidade da zona do euro’, prossegue Fitch, ao avaliar o anúncio do primeiro-ministro grego, Giorgos Papandreou, de condicionar a um plebiscito a aplicação do plano de resgate aprovado pela zona do euro na madrugada da quinta-feira.

O anúncio surpreendeu aos países da área da moeda comum e foi recebido com pânico pelas bolsas europeias.

Fitch considera, portanto, o anúncio da Grécia para que o povo heleno decida sobre o novo resgate, avaliado em 130 bilhões de euros, e o perdão de 50% da dívida por parte dos credores privados ‘aumenta dramaticamente o risco para a Grécia e para a zona do euro em seu conjunto’.

A incógnita se a Grécia aceitará ou não o novo resgate e a oferta do setor privado geram mais incerteza sobre as perdas que os credores poderiam ter de assumir e sobre a recapitalização dos bancos, uma das bases do acordo europeu anticrise aprovado na semana passada, precisamente para preparar às entidades diante de uma falta de pagamento grego, assinala Fitch.

Para a agência de classificação de riscos, as intenções do Governo grego evidenciam a ‘urgência de se estabelecer uma proteção crível para prevenir que o contágio procedente da Grécia desestabilize toda a zona do euro’.

Portanto é ‘essencial’ que a zona do euro avance rapidamente na concretização do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (Feef) para elevar sua capacidade de intervenção sem ter de aumentar as garantias dos países-membros.

A zona do euro aprovou elevar para 1 trilhão de euros a capacidade do Feef ao garantir um percentual da dívida soberana de países com problemas e atrair investidores públicos e privados por meio de um ou vários veículos de propósitos especiais.

Na opinião da agência de classificação de riscos, também é importante que o Banco Central Europeu (BCE) esteja preparado para intervir no mercado secundário com o objetivo de moderar o contágio a países solventes, mas potencialmente com falta de liquidez como a Itália e Espanha.

‘Há uma grande incerteza sobre as consequências que teria um resultado negativo’ no plebiscito, afirma Fitch, que adverte que, diante das prolongadas e difíceis negociações entre o Governo grego e a tríade formada por Comissão Europeia, BCE e FMI o segundo resgate revisado poderia fracassar.

‘Diante do calendário apertado de reembolsos fixado para o primeiro trimestre de 2012, sem ajuda externa contínua uma moratória poderia se seguir’, estima Fitch, que lembra que a falta de uma resposta integral e crível à crise grega constituiu uma fonte de contágio e de instabilidade financeira que impacta negativamente as classificações de outros países da zona do euro. EFE