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Europa volta a preocupar investidores

Ações apresentaram queda em grande parte das bolsas do continente. No Brasil, dólar subiu 1%

Por Da Redação 23 Maio 2011, 16h36

Papéis do setor de turismo são afetados com a notícia do vulcão Grimsvotn, na Islândia

O medo de um agravamento da crise europeia provocou a alta de mais de 1% do dólar ante o real nesta segunda-feira, para perto do maior nível em um mês e meio. A moeda terminou o dia a 1,632 real para venda, com alta de 1,05%. No mês, o dólar já acumula valorização de 3,75%.

No mercado internacional, o dólar subia 0,9% em relação a uma cesta das principais moedas, com o euro no menor nível em dois meses, abaixo de 1,40 dólar.

O humor dos investidores piorou nessa segunda-feira com a redução da perspectiva da nota de crédito da Itália, números fracos de atividade na China e na zona do euro e até a ameaça de cancelamentos de voos na Europa por causa de um vulcão na Islândia. A aversão ao risco já vem crescendo nas últimas semanas com a possibilidade do fim do programa de estímulo econômico nos Estados Unidos e as chances de um calote da dívida grega, com repercussões sobre toda a Europa.

“Se ocorrer uma revigoração da crise iniciada em 2008, o Brasil de hoje está muito diferente”, afirmou Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, em nota. Segundo ele, ao contrário da crise passada, quando o país aumentou os gastos e conseguiu recuperar rapidamente a economia, as atuais condições de atividade e inflação forçariam o governo dessa vez a “jogar na retranca”, com impactos maiores sobre os mercados.

“Esta não é uma boa temporada para continuar especulando com o real”, complementou. Até o momento, os investidores estrangeiros mantinham apostas expressivas na valorização do real. A posição vendida – que aposta na queda do dólar – dos investidores alcançava 17,4 bilhões de dólares na última sexta-feira, maior nível desde 29 de abril.

Para o estrategista da corretora de um banco nacional, que preferiu não ser identificado, “o que está havendo é uma ‘reprecificação’ do crescimento global.” “Quando fica esse cenário mais pessimista, a tendência é uma interrupção do fluxo. Não algo extremo, mas uma menor liquidez”, acrescentou.

Bolsas europeias – As ações na Europa fecharam nesta segunda-feira em forte queda. As ações de bancos e seguradoras figuraram entre as que mais perderam.

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Os papéis do setor de turismo também foram destaque de baixa, refletindo os temores de fechamento do espaço aéreo do continente após a erupção do vulcão Grimsvotn, na Islândia.

A bolsa da Itália fechou em queda de 3,32%, para 20.532,64 pontos. As ações da Fiat recuaram 3,4% em Milão

A Grécia também teve uma redução na sua classificação de risco. O índice com as principais ações caiu 1,3%, aos 1.280,10 pontos.

Na Bolsa de Madri, o índice IBEX-35 fechou com um declínio de 1,4%, aos 10.082,70 pontos. O Partido Socialista, do governo do primeiro-ministro, José Luiz Zapatero, perdeu na maioria das regiões onde houve eleições neste domingo, enquanto manifestantes continuam protestando nas ruas contra o elevado desemprego no país. Os papéis dos bancos BBVA e Santander cederam, respectivamente, 2,4% e 1,7%.

Com o aumento dos temores com o sistema financeiro europeu, as ações das seguradoras recuaram fortemente. Os papéis da Old Mutual caíram 3,8%, ao passo que os da Aegon cederam 3,3% e os da Swiss Life declinaram 3,3%. Analistas do banco italiano UniCredit rebaixaram sua recomendação para o setor na Europa de “acima da média” para “neutro”.

Na Alemanha, o índice Xetra-DAX, da Bolsa de Frankfurt, encerrou com perdas de 2,0%, aos 7.121,52 pontos. As ações do Commerzbank mostraram uma redução de 5,3%, após o banco ter colocado a venda 2,4 bilhões de ações com grande desconto no mercado.

Em Paris, o índice CAC-40 caiu 2,1% e terminou o dia aos 3.906,98 pontos, com as ações do Credit Agricole em baixa de 2,9%. As ações das empresas de artigos de luxo LVMH Moet Hennessy Louis Vuitton e da PPR perderam mais de 2%. No setor aéreo, as ações da Air France-KLM fecharam em baixa de 4,5% e as da International Consolidated Airlines perderam 5,1%.

Em Londres, o índice FT-100 terminou o dia em baixa de 1,89%, aos 5.835,89 pontos, com perdas puxadas pelas ações de empresas de turismo e do setor de mineração.

(com Agência Estado)

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