Estados Unidos investigarão o Brasil e mais 59 países por “trabalhos forçados”
Investigação de trabalho análogo à escravidão é a nova tentativa de Trump de retomar as sobretaxas às importações
Os Estados Unidos iniciaram investigações sobre o Brasil e mais 59 países por práticas de “trabalhos forçados” na produção de mercadorias vendidas para o mercado americano. A apuração foi anunciada na noite desta quinta-feira 12 e será conduzida pela USTR, a agência americana de comércio, com base na Seção 301 da Lei Comercial de 1974, que permite ao país adotar salvaguardas contra práticas “injustas” de parceiros comerciais. Argentina, União Europeia, China, México e Indonésia estão entre os países que serão investigados.
A medida foi interpretada pelos observadores como mais um movimento do presidente Donald Trump de recompor as sobretaxas de importação, após a Suprema Corte americana vetar o tarifaço lançado pelo republicano em abril de 2025. No caso do Brasil, a nova investigação pode impactar o setor agrícola, no qual denúncias de trabalho em condições análogas à escravidão são frequentes e podem servir de munição para a majoração das alíquotas de importação. A medida contribuiria, assim, para brecar a concorrência com o agronegócio americano.
O Brasil já enfrenta outra investigação pela Seção 301 por supostas práticas anticoncorrenciais. Neste caso, o rol de acusações é amplo, abrangendo desde o comércio eletrônico até a falta de combate efetivo à pirataria e falsificação, passando pela disparidade de tarifas aplicadas sobre o etanol de milho americano que chega ao Brasil, e desembocando até no Pix, o sistema de pagamentos instantâneos lançado pelo Banco Central e que se popularizou rapidamente.





