Como o ‘recuo’ de Trump é visto pelo mercado financeiro
Petróleo cai e mercado fica animado com possível fim do conflito
O mercado de petróleo ensaiou um respiro nos últimos dias, mas ainda longe de qualquer tranquilidade. Depois de flertar com os 112 dólares, o barril recuou para a faixa de 92 dólares, embalado por sinalizações de trégua envolvendo Donald Trump e a possibilidade de que infraestruturas energéticas do Irã fiquem fora do radar, ao menos por enquanto. É aquele alívio típico de mercado: rápido, mas cheio de cautela.
Peça-chave
Quem traduz bem esse movimento é Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos. Segundo ele, o preço do petróleo continua sendo uma peça-chave para entender o humor global. “Acaba batendo nas inflações globais”, afirma. E, como sempre, o Brasil não passa imune: combustíveis mais caros pressionam expectativas e contaminam outros preços da economia.
Selic mudou
Essa mudança de cenário já mexeu com as apostas para os juros. Antes da escalada de tensão no Oriente Médio, o mercado trabalhava com uma Selic caminhando para 12% no fim do ano. Agora, a conta mudou. A projeção subiu para 12,50%, com algumas casas já falando em 13%. Não é pouca coisa — mostra como o ambiente externo voltou a pesar nas decisões locais.
Freio
Na prática, isso significa um freio no ritmo de cortes. Moliterno destaca que a trajetória da Selic ficou mais cautelosa, com uma taxa ainda em terreno restritivo por mais tempo. É o Banco Central tentando equilibrar um cenário em que a inflação pode ganhar força justamente quando se esperava algum alívio.
Ata do Copom
E é por isso que a próxima ata do Copom ganha importância. Embora o comunicado mais recente já tenha dado o tom, o mercado vai fazer o que sempre faz: procurar pistas nas entrelinhas. A dúvida central é até onde vai essa taxa no fim do ano e qual será, de fato, o ritmo dos próximos movimentos.
Documento técnico
No fim, o que se espera é um documento técnico, mas não menos revelador. Investidores querem entender como o Banco Central está calibrando o impacto da guerra e da inflação nas suas decisões. Porque, no atual cenário, qualquer palavra pode ajudar — ou atrapalhar — a desenhar o caminho dos juros daqui para frente.





