ASSINE VEJA NEGÓCIOS

O alerta de economistas sobre aumento para servidores do legislativo

Proposta aprovada de surpresa pelo Congresso segue para sanção presidencial

Por Veruska Costa Donato 4 fev 2026, 13h25 • Atualizado em 4 fev 2026, 14h13
  • A aprovação pela Câmara dos Deputados dos reajustes salariais para os servidores da Câmara e do Senado Federal, com aumentos entre 8% e 9%, provocou reação imediata e negativa entre economistas e investidores. As propostas, que avançaram com apoio das mesas diretoras das duas Casas, foram confirmadas em comunicados oficiais do Legislativo e repercutiram mal em um momento de forte sensibilidade fiscal.

    Menos investimento, mais gasto com salário

    Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o problema é estrutural e vai além do Executivo. Segundo ele, há uma “benevolência” generalizada dos três Poderes com os gastos públicos, mas o Legislativo tem falhado em dar o exemplo. “Já abocanhou uma fatia muito grande do orçamento e não tem contribuído para um ambiente fiscal melhor”, afirmou. Na avaliação dele, criar cargos e ampliar despesas em um país com altos níveis de pobreza é “uma ação amoral”.

    Efeito Colateral

    O efeito colateral mais imediato, diz Agostini, recai sobre os juros. Com mais gastos permanentes, o Banco Central do Brasil fica pressionado a manter a taxa elevada — hoje em 15% — justamente para compensar o risco fiscal. Isso, por sua vez, dificulta o cumprimento da meta fiscal e aumenta a chance de congelamentos orçamentários mais à frente, especialmente em ano eleitoral, quando a tentação de “abrir a torneira” costuma falar mais alto.

    Salário de servidor todo mundo paga

    Na mesma linha crítica, Marcelo Mello, CEO da SulAmérica Investimentos, chama atenção para o desalinhamento entre política fiscal e monetária. Para ele, não há como sustentar um ambiente macroeconômico saudável com gastos em alta e juros reais na casa de 10%. “Isso é insustentável no longo prazo”, alertou, lembrando o impacto negativo sobre a economia e sobre a dinâmica da dívida pública.

    Dívida pública é a preocupação

    Segundo Marcelo, a trajetória da dívida já preocupa e pode encerrar o mandato atual perto de 84% do PIB. O recado do mercado é direto: sem clareza e disciplina do lado fiscal, não há espaço para juros mais baixos. E decisões como o reajuste do Legislativo reforçam a percepção de que o esforço de ajuste ainda está longe de ser coletivo. No fim, a conta aparece — em juros altos, crescimento menor e menos espaço para políticas públicas onde elas realmente fazem falta.

    Publicidade

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    O mercado não espera — e você também não pode!
    Com a Veja Negócios Digital , você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
    De: R$ 26,90/mês
    A partir de R$ 9,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).