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Dona da Ricardo Eletro fecha acordo de reestruturação

A peça-chave no processo de reestruturação é a companhia brasileira de private equity, Starboard, que ficará com 72,5% da varejista

Por Estadão Conteúdo Atualizado em 27 ago 2018, 14h44 - Publicado em 27 ago 2018, 08h11

A Máquina de Vendas, dona das redes Ricardo Eletro e Insinuante, protocolou neste sábado seu plano de recuperação extrajudicial, segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo. A peça-chave no processo de reestruturação é a companhia brasileira de private equity – que compra participação em empresas – Starboard, que ficará com 72,5% da varejista mediante um aporte de 250 milhões de reais.

A negociação, que vinha sendo finalizada nos últimos dias, tem por objetivo reestruturar a dívida da ordem de 3 bilhões de reais da Máquina de Vendas, sendo metade com 250 fornecedores da indústria de eletroeletrônicos. O acordo foi costurado com 20 deles, credores de quase 80% da dívida de 1,5 bilhão reais.

A reestruturação dará novo fôlego à empresa pois, no acordo, os fornecedores se comprometem a liberar linhas de crédito à Máquina no total de 800 milhões reais – o equivalente a três meses de capital de giro.

Assim, a companhia, que é e terceira maior varejista de eletroeletrônicos e eletrodomésticos do país, poderá voltar a abastecer as lojas com produtos – uma vez que, atualmente, a falta de crédito tem gerado carência de equipamentos nas unidades, especialmente de TVs e aparelhos de som.

O próximo passo na reestruturação é a homologação do acordo, que deve ocorrer em até três meses, para que então a Starboard, sócia do fundo americano Apollo, assuma o controle da Máquina. A empresa, hoje sob o comando do empresário Ricardo Nunes, terá um novo presidente. Pedro Bianchi, da Starboard, será um dos conselheiros.

Além do aporte da Starboard e do crédito dos fornecedores, o grupo espera levantar outros 250 milhões de reais com fundos de investimento para arrumar a casa.

Crise

Em dificuldade financeira nos últimos anos, a Máquina de Vendas – resultado da fusão da Ricardo Eletro, do empresário Ricardo Nunes, e da Insinuante, de Luiz Carlos Batista, em 2010 – estava em busca de um investidor para injetar recursos no negócio, que sofreu bastante com a crise. Em 2017, a companhia começou a renegociar seus débitos com os bancos.

Com faturamento de 5,2 bilhões de reais, a Máquina de Vendas tem 650 lojas no país. A varejista chegou a ter 1,2 mil, mas teve de enxugar o negócio por causa da crise. Dona também das redes City Lar, Salfer e Eletro Shopping, a companhia é a terceira maior varejista do segmento, atrás da Via Varejo e Magazine Luiza. Procurada, a Máquina de Vendas não retornou o contato da reportagem. A Starboard não comentou.

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