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Dólar volta a cair abaixo de R$ 3,90 mesmo sem atuação do BC

Moeda americana tem queda de 1,63% e reverte alta da semana com dados do mercado de trabalho dos EUA

Por Estadão Conteúdo - Atualizado em 6 jul 2018, 21h26 - Publicado em 6 jul 2018, 21h21

O dólar à vista chegou a bater em R$ 3,95 na manhã desta sexta-feira (6), mas engatou queda forte na parte da tarde, renovou mínimas mesmo durante o jogo do Brasil com a Bélgica e fechou em R$ 3,8662, queda de 1,63%. Foi a menor cotação desde o dia 28 de junho (R$ 3,8593), garantindo ao real o melhor desempenho ante o dólar entre as principais moedas globais.

Operadores ressaltam que os agentes aproveitaram dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que enfraqueceram o dólar no mundo, para desmontar posições compradas, em movimento de realização de lucros.

A sexta-feira (6) marcou o décimo dia seguido sem atuação extraordinária do Banco Central em contratos de swap cambial (venda de dólar no mercado futuro). Com a queda desta sexta (6), o dólar reverteu a alta acumulada na semana e acumulou retração de 0,30%.

Pela manhã, o dólar no Brasil chegou a subir, descolando do exterior. Mas por volta das 11 horas a moeda virou e passou a cair. Para o operador da corretora Hcommcor, Cleber Alessie Machado Neto, ocorreu um movimento de desmonte de posições compradas dos agentes em dólar, após dados diferentes do previsto no relatório de emprego dos Estados Unidos.

Ao contrário do esperado, a taxa do desemprego nos EUA subiu para 4%, enquanto se previa que ficasse em 3,8%. Além disso, a média de ganhos por hora trabalhada subiu 0,2%, enquanto os economistas previam 0,3%, afastando temores de intensificação da alta de juros nos EUA. Apesar da queda, Alessie pondera que este movimento de desmontar posições deve ser “parcial” e “provavelmente pontual”.

O dado que surpreendeu do relatório de emprego dos EUA foi a criação de vagas acima do previsto em junho, com 213 mil postos, enquanto se esperava 195 mil. Na avaliação do economista-chefe internacional do grupo holandês ING, James Knightley, o documento reforça a força da economia americana e deve manter em curso a estratégia do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de subir os juros na maior economia do mundo de forma gradual.

Para este ano, devem vir mais duas elevações, projeta o economista. Na quinta-feira (12) da semana que vem será divulgado o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA, que pode calibrar as expectativas sobre a elevação de juros pelo Fed.

Com a alta de juros em curso nos EUA, além do aumento da tensão comercial nas últimas semanas, o Itaú Unibanco projeta que o cenário externo vai seguir mais desafiador para os países emergentes. O banco elevou hoje a projeção do dólar no Brasil para o final de 2018 e 2019 de R$ 3,70 para R$ 3,90.

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