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Dólar tem 3ª alta seguida com temores sobre Grécia

Por Silvana Rocha

São Paulo – O dólar subiu nesta terça-feira, pela terceira sessão seguida, pressionado pelo clima externo negativo gerado por incertezas políticas na Grécia que ameaçam a implementação do plano de austeridade fiscal e podem levar o país a abandonar a moeda única, o euro. Durante a manhã, parte da valorização da moeda norte-americana também refletiu compras de investidores estrangeiros, que saíram da Bovespa rumo ao dólar visando remessas ao exterior.

Contudo, o avanço da divisa até R$ 1,9420 no fim da sessão matutina atraiu exportadores à venda de moeda e essas entradas de recursos mais do que compensaram as saídas registradas mais cedo, deixando o fluxo cambial positivo na sessão. Desse modo, o cupom cambial de curto prazo caiu, porém, o dólar sustentou-se em campo positivo, em linha com o comportamento da moeda lá fora.

O dólar à vista encerrou a R$ 1,9370 (+0,83%) no balcão – valor mais alto desde 14 de julho de 2009 (de R$ 1,9690). O desempenho elevou o ganho da divisa neste mês para 1,63% e, no ano, para 3,64%. Na BM&F, o dólar spot também terminou valendo R$ 1,9370 (+0,75%). O giro financeiro total até 16h50 somava US$ 1,657 bilhão (US$ 1,619 bilhão em D+2).

No mercado futuro, no mesmo horário, o vencimento de dólar para junho de 2012 subia 0,96%, a R$ 1,9480, concentrando um giro de US$ 17,633 bilhões, de um total de US$ 17,681 bilhões movimentados com apenas dois vencimentos.

Com os ingressos de recursos superiores às saídas hoje, o cupom cambial para junho de 2012 caiu no fim da sessão para +0,41%, ante taxa de +0,62% pela manhã. “O fluxo inicial negativo foi amparado por compras de estrangeiros e bancos e não de importadores”, disse um operador de tesouraria de um banco.

Após quatro semanas de ajustes de baixa dos juros, a reversão desse movimento hoje, com elevação de toda a curva a termo, em ajuste ao IGP-DI de abril acima do esperado, teve impacto parcial sobre os negócios com câmbio. Com o exterior atraindo as atenções, os agentes financeiros relevaram o movimento dos juros domésticos, já que, apesar da alta da inflação, o mercado ainda precifica a Selic em 8% no fim deste ano. Se essa perspectiva mudar e os juros futuros persistirem em alta, poderá haver influência na formação de preço do dólar nos próximos dias.