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Dólar sobe a R$ 4,18 com tensão global e pedido de impeachment de Trump

Investidores vivem dia de aversão ao risco; com queda de juros, Ibovespa vai no sentido contrário e opera estável

Por da Redação - 25 set 2019, 13h40

O dólar comercial tem alta na tarde desta quarta-feira, 25, com um movimento global de aversão ao risco, devido às disputas comerciais entre China e Estados Unidos e a tensão com relação aos possíveis desdobramentos de um impeachment do presidente americano, Donald Trump.  No período da manhã, a moeda chegou aos 4,19 reais. Às 13h40, a moeda tinha alta de 0,2%, cotada aos 4,18 reais na venda. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, operava quase estável com ligeira queda de  0,08%, aos 103.791 pontos.

O dólar se valoriza contra moedas do mundo inteiro, com altas de 0,68% contra o Nikkei japonês e o euro, e de 1,09% contra a libra esterlina, do Reino Unido.

Mesmo com a previsão de novos encontros entre representantes de China e Estados Unidos para daqui a duas semanas, a tensão entre os dois países continua a influenciar o mercado. Donald Trump subiu o tom novamente na véspera, em discurso na Assembleia Geral da ONU. Segundo ele, os “abusos” comerciais de Pequim foram “ignorados” ou “encorajados” por anos. Ele também disse que não aceitará um acordo ruim para os americanos. “Vimos um discurso na ONU ontem bastante contundente. Foi muito enfático. O dólar está subindo em busca de proteção global, principalmente dos desdobramentos ainda muito incertos de Estados Unidos e China”, diz Fernando Bergallo, diretor de câmbio da FB Capital, que ainda assim, acredita em um acordo entre as duas maiores economias do mundo.

Outro motivo de atenção para os investidores é o possível impeachment de Donald Trump. A democrata Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados, anunciou na terça-feira que o processo será aberto na Casa. O estopim foi a recente pressão de Trump sobre o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenski, para que investigasse negócios em sue país do ex-vice-presidente americano Joe Biden, pré-candidato democrata à Casa Branca em 2020, e de seu filho. Em troca, o líder dos Estados Unidos havia prometido liberar ajuda militar de 250 milhões de dólares a Kiev, que pouco antes havia oportunamente congelado. O ocorrido foi por meio de telefonema e a transcrição foi divulgada nesta quarta a pedido do próprio Trump, Nela, o líder americano, de fato, pede que Zelenski trabalhe ao lado do secretário de Justiça americano para investigar as ações de Biden.  Para Bergallo, é muito difícil prever as consequências práticas disso. “É muito mais uma tensão sobre o futuro. É uma componente mais especulativo do que uma questão uma pragmática”, afirma.

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Internamente, as notícias também não são positivas, na visão dos investidores. A reforma da Previdência, principal pauta do governo para os mercados, teve sua votação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) adiada na terça-feira, e a situação viu 18 vetos de Jair Bolsonaro serem derrubados no Congresso sobre a Lei de Abuso de Autoridade, o que a princípio, pode significar uma perda de articulação no Legislativo.

Apesar do cenário de desconfiança global e doméstica, o Ibovespa não segue o desempenho do dólar e opera estável.  Segundo o analista, o movimento é resultado de uma migração dos investimentos de renda fixa para renda variável, por causa da queda na taxa de juros da Selic, que torna investimentos em poupança e Tesouro Direto, por exemplo, menos atrativo. A taxa básica de juros sofreu corte na semana passada de 6% para 5,5%, renovando sua mínima histórica.

As bolsas pelo mundo seguem, em geral, o movimento de queda. O alemão DAX fechou em 0,59% e o francês CAC em 0,79%. Entre os principais índices, apenas nos dos Estados Unidos o desempenho é positivo, com Nasdaq (0,20%), Dow Jones (0,53%) e S&P (0,24%) em alta.

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