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Dólar fecha a R$ 3,36 — maior cotação em 12 anos

Valorização da moeda americana ante o real é reflexo do receio dos investidores em relação aos rumos da economia brasileira e à queda acentuada da bolsa chinesa

Por Da Redação 27 jul 2015, 11h01

O dólar fechou em alta nesta segunda-feira, voltando a atingir o patamar mais elevado dos últimos doze anos, a 3,36 reais, com alta de 0,51%. Trata-se do maior valor desde 27 de março de 2003. Desde quarta-feira, acumula alta de 6,01%. A moeda americana chegou a ser cotada a 3,37 reais por volta das 9h20. A forte valorização da divisa frente ao real reflete as preocupações dos agentes econômicos com a queda acentuada da bolsa chinesa e as incertezas quanto ao cenário da economia brasileira.

Os investidores seguem com receio quanto à capacidade de o país conseguir cumprir a meta fiscal neste ano e a possibilidade de perda do grau de investimento. As bolsas asiáticas, por sua vez, encerraram o pregão em baixa nesta segunda, arrastadas pela queda de 8,5% da bolsa da China – a maior perda em oito anos.

Entre os indicadores que pautaram o mercado internacional, o governo chinês informou que o lucro industrial no país teve recuo anual de 0,3% em junho, após avançar 2,6% em abril e 0,6% em maio.

Esse contexto castigou as moedas de países emergentes, incluindo o real, que ainda está sob o impacto da revisão das metas fiscais até 2017. O dólar no Brasil já abriu bastante pressionado, mas no meio da manhã o avanço perdeu força com alguns investidores aproveitando para realizar lucros. Naquele momento, o dólar chegou a ser negociado em baixa, em meio ainda ao início da movimentação dos players vendidos em dólar visando o fechamento da ptax das 13 horas.

Na contramão da tendência das moedas de países exportadores de commodities, o euro subiu diante do dólar, amparado pela melhora do índice de sentimento das empresas da Alemanha acima do esperado.

Na última sexta-feira, o dólar fechou o dia cotado a 3,34 reais – o maior valor desde 1º de abril de 2003, quando foi negociado a 3,35 reais.

Desconfiança – Na quarta-feira passada, o governo reduziu suas metas fiscais para este e os próximos dois anos, abrindo brecha inclusive para déficit primário em 2015. A decisão surpreendeu e decepcionou investidores, que entenderam a manobra como sinal de menor comprometimento com o reequilíbrio das contas públicas e temem que o Brasil possa vir a perder seu grau de investimento.

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“A combinação de política monetária apertada e superávits primários modestos implica significativa deterioração das dinâmicas de dívida do Brasil”, escreveram analistas do JPMorgan em apresentação a clientes, estimando que a dívida bruta deve alcançar 70 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016.

A perspectiva de mais altas do dólar renovou o foco nas intervenções do Banco Central no câmbio, uma vez que o fortalecimento da moeda norte-americana tende a pressionar a inflação ao encarecer importados. Operadores esperam sinalização sobre qual fatia dos swaps cambiais, equivalentes a venda futura de dólares, que vencem em setembro, será rolada.

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(Da redação)

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