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Dólar acompanha exterior sob a mira do BC

Por Cristina Canas

São Paulo – Os mercados europeus amanheceram computando duas notícias de destaque do final do dia de ontem. Uma concreta e negativa – que é o rebaixamento da classificação de risco da Itália anunciado ontem à noite pela Moody’s – e outra positiva, mas que ainda não passa de expectativa – uma ação coordenada da União Europeia para recapitalizar os bancos. Por ora, preferem precificar a segunda, o que está dando fôlego para o euro se manter na casa de US$ 1,33, cotado a US$ 1,3335 pouco antes das 9h, ante US$ 1,3355 no final da tarde de ontem em Nova York.

Já o dólar, no mesmo horário, recuava 0,71% diante da cesta de seis moedas fortes (dólar index). Nesse caso, ainda pesa também a perspectiva de que a liquidez na moeda pode aumentar, depois que Ben Bernanke disse ontem que o Fed está alerta e pode tomar novas medidas de incentivo à economia, não descartando até um eventual Q3. Já diante das moedas emergentes de maior destaque – dólares canadense, australiano, neozelandês e o rand sul africano – o dólar oscilava perto da estabilidade e ainda não tinha rumo certo.

Por aqui, às 9h14, pouco depois do início dos negócios, o dólar novembro estava exatamente no mesmo ponto em que fechou ontem, a R$ 1,8705. A perspectiva dos operadores é de que a volatilidade deve continuar acentuada, com os investidores reagindo de forma rápida e intensa a qualquer novidade tanto referente à crise europeia, quanto ao andamento da economia dos EUA.

Para a trajetória de alta, no entanto, há uma limitação: a presença do Banco Central no mercado. Depois dos leilões de swap de ontem e segunda-feira, se alguém ainda tinha alguma dúvida, não tem mais: o dólar acima de R$ 1,90 incomoda a equipe econômica.

Vale registrar que ontem os investidores estrangeiros assumiram posição comprada líquida em derivativos, completando uma inversão que vem ocorrendo desde agosto e se acentuou no mês de setembro. No fechamento desta terça-feira, os investidores estrangeiros encerraram o pregão comprados em 14.289 contratos (US$ 714,4 milhões), considerando-se DDI e dólar futuro. Na segunda-feira, a posição líquida dos estrangeiros era vendida em 13.536 contratos (US$ 676,8 milhões).