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Discurso de Bernanke anima mercados e bolsas sobem

Presidente do Fed voltou a dizer que o ritmo de compras de títulos poderá ser mantido por mais tempo, se as condições econômicas exigirem

Apesar de não trazer novidades, o tom suave das declarações do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, em audiência na Câmara dos Estados Unidos, firmaram as bolsas de valores no terreno positivo. Bernanke afirmou que o ritmo das compras de títulos pelo Fed pode ser mantido por mais tempo, se as condições econômicas forem desfavoráveis. Mas a cautela deve prevalecer entre os investidores, ao menos até a sessão de perguntas e respostas entre os congressistas norte-americanos e a autoridade monetária. Às 14h05, o Ibovespa tinha alta de 1,32%, aos 47.489 pontos.

No mesmo horário, em Wall Street, o índice Dow Jones subia 0,13%, digerindo o discurso de Bernanke e já reagindo à inesperada queda de 9,9% nas construções de moradias iniciadas nos EUA em junho, ante previsão de alta de 3,9%. As permissões para a construção de novas casas, por sua vez, registraram o maior tombo em mais de dois anos. Durante a tarde haverá a publicação do Livro Bege do Fed, fato que deve trazer mais elementos para a oscilação dos mercados.

Na Europa, as bolsas reagiram positivamente ao discurso. O índice pan europeu Stoxx 600 subiu 0,6% e fechou a 297,04 pontos.

Bernanke afirmou que as compras de bônus do Banco Central dos EUA não têm, de forma alguma, uma direção definida. “O Fed espera moderar o ritmo de compra de ativos neste ano, mas pode aumentar esse ritmo, se for necessário”, disse, acrescentando que a política monetária altamente acomodatícia é apropriada para o curto prazo.

Segundo operadores consultados, “as palavras de Bernanke já estavam no preço”, mas a confirmação dos comentários recentes trouxe novo ânimo para os negócios com risco. Agora, comenta um profissional, “o mercado vai ficar de olho nas questões a serem feitas, principalmente pelos republicanos, e nas respostas de Bernanke”.

Até lá, a melhora do humor externo tende a influenciar os negócios locais, mas não está descartado um aumento na volatilidade ao longo do dia. No Brasil, os mercados são influenciados pela divulgação de novas prévias mostrando desaceleração da inflação e em meio à expectativa por anúncio de novos cortes no Orçamento federal.

Dólar – O dólar tem mais um dia de volatilidade, sem tendência concreta, nesta quarta-feira. A moeda americana caía 1,12% às 14h05, a 2,22 reais, após subir 1% na terça-feira e recuar 1,88% na segunda.

(Com Estadão Conteúdo)