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Diretor do FMI para a América Latina: caso YPF-Repsol é um problema bilateral

A expropriação parcial da YPF-Repsol é um problema bilateral a ser resolvido entre Argentina e a Espanha, declarou esta sexta-feira o diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a América Latina, Nicolás Eyzaguirre, depois de críticas de um economista da entidade.

“É preciso dizer que este é essencialmente um problema bilateral entre a Argentina e a Espanha. Como organização multilateral não temos comentários particulares a respeito”, disse Eyzaguirre em coletiva de imprensa, durante a assembleia semestral do Fundo.

“Os interesses dos investidores vão ser defendidos pelos próprios investidores e seus países”, explicou Eyzaguirre.

“O que esperamos, em benefício da estabilidade do investimento estrangeiro na Argentina e no restante da região, é que esta nacionalização acontecerá, com sorte, em um ambiente de acordo entre as duas partes”, concluiu.

Um economista do Fundo, Thomas Helbling, autor, entre outros, do relatório semestral de previsões econômicas mundiais da entidade, lamentou, na terça-feira, que a Argentina seja “imprevisível”.

“Acredito que houve uma certa deterioração do clima para os investidores na Argentina nos últimos anos”, afirmou em coletiva de imprensa esse economista.

O presidente do Banco Mundial (BM), Robert Zoellick, também considerou a expropriação como um “erro”, com numerosas reações internacionais.

A presidenta Cristina Kirchner anunciou na segunda-feira a expropriação de 51% das ações da YPF em mãos da empresa espanhola Repsol e a petroleira reagiu afirmando que ia pedir 10 bilhões de dólares de indenização.

O FMI e Argentina mantêm uma difícil relação desde que o país sul-americano pagou sua dívida com a entidade e a acusou de ter contribuído para sua grande crise financeira em 2000-2001.

A Argentina se nega a ser avaliada economicamente pelo Fundo.