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Dilma, que nunca cumpriu centro da meta de inflação, reduz margem de tolerância para 2017

Meta continua em 4,5%, mas o Conselho Monetário Nacional, formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do BC, diminuiu teto de 6,5% para 6%

Por Da Redação 25 jun 2015, 21h16

O Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou que a meta de inflação medida pelo IPCA segue em 4,5% ao ano para 2017, mas a margem de tolerância foi reduzida de 2 pontos porcentuais para 1,5 ponto percentual, divulgou o Ministério da Fazenda nesta quinta-feira. Com isso, a tolerância para o teto da inflação cai de 6,5% para 6%. A meta de inflação segue no patamar de 4,5% desde 2005, quando a banda era de 2,5 pontos porcentuais. A tolerância de 2 pontos passou a valer em 2006.

Em nenhum dos quatro anos do primeiro mandato de Dilma Roussef, a inflação atingiu a meta estipulada – de 2011 a 2014, as taxas anuais foram de 6,5%, 5,84%, 5,91% e 6,41%. Desta vez, diante do cenário de mais fragilidade da economia, com inflação elevada e baixa confiança no governo, houve debate dentro do CMN, formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central, em torno da redução da meta para 2017.

Dentro do Ministério da Fazenda, a intenção era mexer no objetivo para 2017 a fim de sinalizar o comprometimento com o combate à inflação e restaurar a credibilidade da política econômica. Dentro do BC, por outro lado, havia a defesa de não mudar a meta diante da preocupação com o atual cenário, com fortes ajustes fiscais ocorrendo e inflação nas alturas.

Reduzir a margem de tolerância para a inflação pode levar o BC a ter de apertar ainda mais a política monetária, que desde outubro já elevou a Selic em 2,75 ponto percentual, para os atuais 13,75%. E como a inflação deste ano deve ficar em torno de 9% – ou seja, fora da meta -, fazer com que ela convergisse para um alvo menor no futuro exigiria ainda maior esforço no presente.

Muitos no mercado financeiro defendiam a ideia de reduzir a meta mais à frente. A economista-chefe da Rosenberg & Associados, Thais Zara, acredita que a decisão de reduzir a banda para 2017 sinaliza o compromisso do governo com a redução da inflação. “É uma medida importante. Reforça o trabalho que o Banco Central vem fazendo de melhora da credibilidade, reconquista da confiança dos agentes”, disse.

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No entanto, a medida pode levar à necessidade de juros mais elevados, o que pode ser refletido no mercado nas próximas sessões. “O efeito prático disso é que a curva de juros tende a subir um pouco mais porque você vai ter que ter uma persistência mais forte da política monetária para chegar ao mesmo resultado. Hoje até já subiu o juro antecipando um pouco isso. É bom que não mudaram o centro da meta”, disse o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.

O BC vem reiterando o compromisso em levar o IPCA a 4,5% no final do ano que vem, fazendo o que for necessário e com “determinação e perseverança” para tanto. Apesar do duro aperto monetário conduzido pela autoridade monetária, a inflação segue em níveis persistentemente altos, influenciada principalmente pelo ajuste de preços administrados e pela valorização do dólar.

Em maio, o IPCA subiu 8,47% em 12 meses, acima do esperado pelo mercado e na maior taxa acumulada desde dezembro de 2003. A prévia para o desempenho do índice apontou a continuidade da tendência, com o IPCA-15 registrando alta em 12 meses de 8,80%.

O segundo mandato da presidente Dilma Rousseff enfrenta uma maré de notícias negativas no front econômico enquanto tenta colocar de pé um ajuste fiscal para reequilibrar as contas públicas e alcançar neste ano superávit primário de 66,3 bilhões de reais, ou 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB).

(Com agência Reuters)

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