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Dilma pede apoio político por mudanças na poupança

Presidente solicitou aos parlamentares da base aliada que defendam as mudanças no rendimento da caderneta, que são impopulares. Dilma também pedirá apoio a centrais sindicais e grandes empresários

Por Luciana Marques - 3 maio 2012, 17h34

A presidente Dilma Rousseff pediu aos presidentes e líderes de partidos da base aliada apoio político diante do anúncio iminente de mudanças no rendimento da poupança. A divulgação oficial das novas regras está prevista para ocorrer às 18h no Palácio do Planalto. Dilma avalia que as novas medidas são impopulares, já que reduzem o lucro da poupança, e quer que os parlamentares defendam o governo de eventuais ataques da oposição.

Estavam presentes na reunião do conselho político, que durou duas horas, representantes de quatorze partidos: PT, PMDB, PV, PSB, PRB, PRTB, PMN, PT do B, PC do B, PSC, PTB, PP, PSL, PHS. Faltaram ao encontro líderes do PDT, partido do recém-empossado ministro do Trabalho, Brizola Neto; e do PR, legenda do ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos.

A proposta apresentada aos aliados prevê correção mensal da poupança pelo equivalente a 70% da taxa básica de juros (Selic) mais a variação da Taxa Referencial (TR). A nova remuneração só valerá, no entanto, quando a taxa básica de juros (Selic) estiver em 8,50% ao ano ou em patamar inferior. Se a taxa estiver acima disso, o rendimento permanecerá no nível atual: 0,5% ao mês mais a variação da TR. Hoje, a Selic está em 9% ao ano.

De acordo com fontes e com o esboço da medida provisória a que a agência Reuters teve acesso, a mudança não afetará as poupanças antigas, mas apenas as que forem abertas após a publicação da MP e também os novos depósitos.

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Pacto – Dilma fez um “pacto de silêncio” com os presentes: pediu que não falassem com a imprensa, nem se pronunciassem sobre as mudanças nas tribunas da Câmara e do Senado. Também participaram do encontro o vice-presidente Michel Temer; o secretário-executivo da Fazenda, Nelson Barbosa; e os ministros da Fazenda, Guido Mantega; da Casa Civil, Gleisi Hoffmann; e de Relações Institucionais, Ideli Salvatti.

Logo depois do encontro com o conselho político, Dilma iniciou uma nova reunião, desta vez com as centrais sindicais. Também participam os ministros Mantega (Fazenda), Brizola Neto (Trabalho) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência). A presidente deve seguir o script do encontro com políticos, ou seja, dar detalhes sobre as novas medidas e pedir apoio.

Em seguida, a presidente repetirá mais uma vez a dose – desta vez com a nata empresarial do país. Dilma convidou o seleto grupo que recebeu em Brasília em março para uma segunda reunião. Estão na lista, por exemplo, Eike Batista, presidente do grupo EBX; Murilo Ferreira, presidente da Vale; e Roberto Setúbal, presidente do banco Itaú.

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