Dilma e Obama trocam elogios e críticas veladas na Casa Branca

Por Por Diego Urdaneta - 9 abr 2012, 18h24

O presidente americano, Barack Obama, elogiou nesta segunda-feira a “forte” relação com o Brasil, mas declarou que esta pode ser mais intensa, ao receber pela primeira vez na Casa Branca sua colega Dilma Rousseff, que criticou a política monetária dos países desenvolvidos.

“A boa notícia é que a relação entre Brasil e Estados Unidos nunca foi tão forte, mas podemos fazer coisas mais ambiciosas”, disse Obama à imprensa no Salão Oval.

Dilma criticou o fato de “as políticas monetárias dos países ricos levarem à desvalorização de suas moedas, colocando em perigo o crescimento dos países emergentes”.

A presidente declarou ainda que os Estados Unidos podem ter um papel “muito importante”, tanto “na contenção da crise” mundial como no impulso ao crescimento, e disse que países como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (conhecidos como Brics) já contribuíram de forma “significativa” para o crescimento mundial.

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O Brasil, sexta maior economia do mundo, enfrenta uma apreciação de sua moeda frente ao dólar, alimentada pela política de taxa de juros zero aplicada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) para combater os efeitos da crise de 2008.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carner, não quis comentar essas declarações da presidente brasileira em uma coletiva de imprensa posterior.

Os dois governantes se reuniram durante uma hora e meia acompanhados de delegações ministeriais e passaram posteriormente a um almoço de trabalho restrito. Obama havia convidado Dilma a visitá-lo em Washington durante sua visita ao Brasil no ano passado.

Mas apesar de os dois presidentes terem concordado em intensificar a cooperação bilateral, os anúncios concretos foram modestos.

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Os países divulgaram um novo memorando em matéria de cooperação aeronáutica, reafirmaram seu compromisso com um programa de intercâmbio estudantil e os Estados Unidos lembraram que haviam facilitado as condições de viagem para os turistas brasileiros.

Mais cedo, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, havia elogiado a primeira mulher presidente do Brasil em um ato realizado com empresários na Câmara do Comércio, no qual destacou a importância do Brasil no cenário internacional.

“O Brasil é um parceiro responsável”, disse Hillary na presença de seu colega Antonio Patriota.

“Nossa região e o mundo enfrentam desafios complexos e precisamos do Brasil para resolvê-los”, completou Hillary.

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“Devido a seu poder crescente, o Brasil tem (diante de si) desafios complexos, os quais só poderá resolver com a ajuda de outras nações, como os Estados Unidos”, completou Hillary.

“À medida que presenciamos a transformação para um mundo mais multipolar, o Brasil presta especial atenção a todos os pólos desta nova configuração”, disse prudente Patriota no mesmo fórum.

Mas “não temos privilegiado os novos pólos emergentes na comparação com os parceiros mais tradicionais”, como os Estados Unidos, completou.

O governo de Dilma mantém a mesma linha de diplomacia ativa praticada por Luiz Inácio Lula da Silva, o que despertou certa irritação em Washington.

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Sua resistência a novas sanções contra o Irã ou Síria e seu reconhecimento ao Estado palestino gerou decepção nos EUA, mas desde a visita de Obama ao Brasil, há um ano, as relações melhoraram gradualmente.

“Gostaríamos de ser um vínculo pacífico e construtivo entre todos os pólos”, explicou Patriota.

Brasil e Estados Unidos mantêm, por outro lado, tensões comerciais, como o abrupto cancelamento há um mês por parte da Força Aérea Americana da compra de 20 aviões Super Tucano da Embraer, o que irritou o Brasil, que ainda estuda a compra de 36 aviões caça entre ofertas de Estados Unidos, França e Suécia.

A balança comercial entre os dois países, de 74 bilhões de dólares em 2011, foi deficitária em mais de 11 bilhões de dólares para o Brasil.

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Dilma viajará na terça-feira a Boston para promover na universidade de Harvard e no Massachusetts Institute of Technology (MIT) um programa para formar brasileiros no exterior, retornando posteriormente ao Brasil.

Os dois presidentes voltarão a se reunir em poucos dias, desta vez na Cúpula das Américas, em Cartagena, no próximo fim de semana.

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