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Déficit em conta de janeiro a novembro é recorde, diz BC

Valor fica acima dos 72 bilhões de dólares, maior da série para o período

O Brasil acumula déficit em conta corrente recorde entre janeiro e novembro deste ano, de 72,693 bilhões de dólares. De acordo com o chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Tulio Maciel, o saldo negativo vem se aprofundando ao longo do ano. “Isso é algo que já vinha sendo recorrente ao longo do ano”, afirmou. O valor foi anunciado pela autoridade monetária junto a outro recorde: as despesas de brasileiros no exterior, que somaram 1,874 bilhão de dólares em novembro deste ano.

Maciel destacou que, apenas em novembro, o déficit nas transações correntes atingiu 5,145 bilhões, acima do que o BC havia projetado, de 4,4 bilhões de dólares, mas inferior ao resultado de novembro do ano passado, de 6,257 bilhões, e também ao de outubro. Por essa razão, o déficit nas transações correntes recuou de 82,211 bilhões nos doze meses encerrados em outubro para 81,100 bilhões de dólares.

A conta corrente, ou conta de transações correntes, reúne o saldo da balança comercial (exportações e importações), o resultado da balança de serviços e a conta financeira. Quando está deficitária, significa que o Brasil está tomando mais crédito externo do que recebendo investimentos.

Maciel disse ainda que o déficit nas transações correntes em novembro, de 5,145 bilhões, foi o menor para o mês desde 2010, quando atingiu 4,7 bilhões de dólares. Com a elevação da projeção do BC para o déficit nas transações correntes de 2013, de 75 bilhões para 79 bilhões, a expectativa para o déficit em dezembro é de 6,3 bilhões de dólares.

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Efeito da balança – O dirigente do BC afirmou também que o déficit nas transações correntes no acumulado de janeiro a novembro deste ano é bem superior ao verificado no mesmo período do ano passado, de 46 bilhões de dólares. Segundo ele, essa diferença de quase 27 bilhões é explicada principalmente pela balança comercial. No acumulado de janeiro a novembro do ano passado, o superávit comercial era de 17,169 bilhões. No mesmo período deste ano, houve um déficit de 93 milhões de dólares. Enquanto as importações cresceram a um ritmo de quase 8% de janeiro a novembro deste ano, as exportações registraram recuo de 0,7%, disse Maciel.

Segundo Maciel, a revisão na estimativa para o déficit em conta corrente em 2013 reflete, principalmente, os gastos maiores verificados nos últimos meses no segmento de serviços. Ele destacou que os gastos com viagens internacionais não desaceleraram como esperado pelo governo. “Só agora é que a gente está vendo esses sinais mais nítidos de moderação na conta de viagens internacionais. Apesar da oscilação de câmbio em junho e julho, o impacto disso foi mais recente”, afirmou.

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IED – Em novembro, houve ingresso líquido de 8,3 bilhões de dólares em investimentos estrangeiros diretos (IED). De acordo com o BC, esse valor é composto por 5,3 bilhões de dólares na modalidade participação no capital e 3,1 bilhões de dólares em desembolsos líquidos de empréstimos intercompanhias.

No ano, até novembro, os ingressos líquidos de IED atingiram 57,5 bilhões de dólares. Já em doze meses até novembro, os ingressos líquidos de IED totalizaram 62,8 bilhões, de dólares equivalentes 2,84% do PIB.

Reservas e dívida – O BC informou ainda nesta quarta que a posição da dívida externa total estimada para novembro totalizou 311,9 bilhões de dólares, elevação de 4,2 bilhões de dólares em relação ao estoque apurado para setembro de 2013.

Já as reservas internacionais tiveram queda em novembro, para um total líquido de 376,1 bilhões de dólares, redução de 795 milhões de dólares em relação ao mês anterior.

(com Estadão Conteúdo)