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Déficit da c/c reflete continuidade de crescimento

Por Fernando Nakagawa e Adriana Fernandes

Brasília (AE) – O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Tulio Maciel, avaliou que o déficit da conta de transações correntes do Brasil com o exterior em 2011, quando registrou o maior saldo negativo da história, refletiu a continuidade do crescimento da economia brasileira, que demandou mais bens de consumo e de serviços vindos de outros países.

Ao comentar o resultado, Maciel destacou que em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), o déficit em termos históricos (de 2,12%) foi “normal”. Segundo ele, as contas externas mostraram “mês a mês” déficits significativos, mas ponderou que o resultado negativo das contas externas foi “plenamente” financiado pelo ingresso de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), que mostraram fluxos “expressivos e contínuos”.

Para o chefe do Depec, o fluxo recorde de IED em 2011 revelou a confiança do investidor estrangeiro nos fundamentos da economia e a expansão do mercado domésticos. “Mostrou confiança na sustentabilidade desses movimentos. São estímulos para o que o investidor estrangeiro aporte no Brasil”, disse. “O financiamento do déficit foi feito com sobra da melhor maneira que ser poderia ser feito”, acrescentou. Ele destacou que esses investimentos contribuíram para o crescimento da economia brasileira.

Oscilação do dólar – O sobe e desce do dólar observado desde agosto do ano passado começa a afugentar os turistas brasileiros das viagens internacionais. Dados apresentados hoje mostram moderação do ritmo de crescimento das despesas no exterior a partir do segundo semestre de 2011.

“Aquelas taxas de crescimento expressivo do déficit de viagens internacionais observada até agosto apresentou moderação. Para 2012, temos uma perspectiva de comportamento mais moderado”, diz o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel. “O gasto nesse item é bastante sensível à taxa de câmbio, como vimos a partir de agosto. A incerteza econômica também contribui para que brasileiro seja um pouco mais cauteloso”, explicou.

O ano de 2011 terminou com crescimento de 38% no rombo gerado pelas viagens internacionais – isso porque o gasto de brasileiros no exterior é maior que a receita obtida com estrangeiros em turismo no Brasil. Mas o comportamento no segundo semestre, diz Maciel, é completamente diferente. “Em dezembro de 2011, por exemplo, o déficit é ligeiramente menor que o observado um ano antes”, diz. No último mês do ano passado, o déficit de viagens somou US$ 1,114 bilhão, menor que o US$ 1,119 bilhão em dezembro de 2010.

Maciel também chamou atenção para o fato de que os investimentos no segmento de extração mineral já alavancam o gasto do Brasil com o aluguel de equipamentos contratados no exterior. Em 2011, a despesa de US$ 16,669 bilhões é um novo recorde.