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De olho em 2013, Copom deve baixar juro nesta 4ª feira

Analistas ouvidos pelo site de VEJA apostam em queda de 0,5 ponto porcentual da taxa Selic, para 7,5% ao ano; efeito esperado não será sentido em 2012

Por Naiara Infante Bertão 29 ago 2012, 10h19

O mercado financeiro aposta em mais um corte na taxa básica de juros (Selic) na noite desta quarta-feira – segundo e último dia da antepenúltima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). A expectativa predominante entre os analistas ouvidos pelo site de VEJA é de uma redução de 0,5 ponto porcentual da Selic, que passaria então de 8% para 7,5% ao ano – patamar inédito no Brasil. A diminuição da taxa é uma das maneiras que o governo da presidente Dilma Rousseff tem encontrado para estimular o crédito e o consumo em um contexto de instabilidade dos mercados internacionais e desaceleração da atividade econômica doméstica. Contudo, o que está em jogo não é o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, mas sim o de 2013.

Há quatro semanas consecutivas, os analistas ouvidos pelo BC para o boletim Focus vêm reduzindo suas estimativas para o PIB deste ano. No relatório desta semana, a projeção passou de 1,75% para 1,73%, com manutenção da aposta de avanço de 4% para o ano que vem. Em resumo, como 2012 já se encontra a quatro meses de seu término e há defasagem natural entre a fixação de uma nova taxa e seu efeito sobre a economia, governo e mercado sabem que se age hoje mirando 2013.

Além da queda desta quarta-feira, os economistas ouvidos pelo BC projetam ainda um corte de 0,25 ponto porcentual na próxima reunião, em 9 e 10 de outubro. O último encontro do ano, em 27 e 28 de novembro, não deve trazer mudança na Selic. Desta forma, a taxa básica deve chegar a 31 de dezembro no patamar de 7,25% ao ano.

Porém, o mercado financeiro espera que o BC volte a subir os juros a partir de abril, uma vez que, até lá, a economia estará melhor – e há risco de que tantas desonerações fiscais, pacotes de estímulo e juros historicamente baixos construam um ambiente favorável à aceleração da alta dos preços.

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De fato, baixando novamente a Selic nesta quarta, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ganha ‘combustível’ e pode subir ainda mais. Em julho, o indicador registrou alta de 0,43%, totalizando em doze meses um acréscimo de 5,20% – número dentro do intervalo de tolerância do governo, que vai de 2,5% a 6,5% ao ano, mas cada vez mais distante do chamado ‘centro da meta’, de 4,5%. Fica cada vez mais difícil acreditar na retórica do BC de que a inflação converge para este valor central e ganha força a hipótese de que o governo está mais preocupado em garantir crescimento econômico no médio prazo, que propriamente cuidar dos preços.

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PIB – Na sexta-feira é a vez de o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgar os dados do PIB do segundo trimestre. O indicador é muito aguardado pelo mercado, ainda mais diante do fraco desempenho dos primeiros três meses de 2012, quando a economia cresceu apenas 0,2%. A projeção mais cotada entre economistas para este dado configura uma expansão um pouco melhor: em torno de 0,5%.

A maior preocupação do Palácio do Planalto, segundo economistas, é tornar essa recuperação mais robusta daqui para frente e, justamente por conta disso, a política monetária deve seguir seu ciclo de flexibilização. Em junho, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) – indicador que é considerado uma prévia do PIB – avançou 0,75% sobre maio, na série com ajuste sazonal. No acumulado dos meses de abril, maio e junho de 2012, o IBC-Br teve expansão de 0,38% sobre o primeiro trimestre de 2012, também na série com ajuste sazonal.

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