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De forma inédita, BC monta três cenários para a meta fiscal

Chefe do Departamento Econômico tem três contas para o ano, que considera um superávit primário entre 1,95% do PIB a 2,3%

Um dia depois de bater enfaticamente na posição de que manteria os parâmetros da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para as contas públicas de 2013, o Banco Central (BC) decidiu apresentar, de forma inédita, três cenários para o setor fiscal no final do ano. A autarquia mostra que seu cenário central contempla uma avaliação idêntica à do Ministério da Fazenda, de fazer economia para pagar juros proporcionais a 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), mas também apresenta projeções que consideram um superávit inferior a 2% do PIB.

O primeiro cenário descrito pelo chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, contempla o cumprimento da meta cheia de 155,9 bilhões de reais (cerca de 3,2% do PIB), o que está praticamente descartado pelo governo, já que a própria LDO considera o abatimento de até 65 bilhões desse total. Por esse cenário, a projeção para a dívida líquida em relação ao PIB ficaria em 33,7%; a dívida bruta em relação ao PIB, em 59,7%; e o resultado nominal ante o PIB em 1,5%, além de 4,7% de despesas com juros.

O técnico explicou que o cenário central da instituição passa a ser o de o governo fazer uma economia de 2,3% do PIB para o pagamento de juros este ano, assim como adiantou o ministro Guido Mantega. Com esse parâmetro, a projeção para dívida líquida é de 34,6%; para a dívida bruta, de 60,2%; e para o déficit nominal, de 2,4%.

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Na véspera, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton de Araújo, salientou que ainda considerava a meta de superávit fiscal de 155,9 bilhões de reais este ano. “Consideramos esse valor e os abatimentos. O mesmo vale para 2014”, disse. Ele afirmou que, conforme for obtendo novas e melhores informações, o BC as acrescentará ao seu cenário. Sem citar a Fazenda, Hamilton disse que as autoridades fiscais têm manifestado compromisso com o cumprimento fiscal equivalente a 2,3% do PIB. “Essas declarações são positivas, encorajadoras.”

Ousadia – Além do cenário convencional e central, Maciel apresentou as projeções para o final do ano baseadas em um superávit primário de 1,95% do PIB. A relação tem como referência a taxa acumulada em 12 meses até maio, dado que foi divulgado nesta manhã pelo BC. Se esse quadro prevalecer no fim de 2013, a dívida líquida deve ficar em 34,9% do PIB; a dívida bruta chegará em 60,4% do PIB e o déficit nominal em 2,7% do PIB. Em todos os casos, o BC considerou um crescimento do PIB de 2,7% no ano, que constou do Relatório Trimestral de Inflação divulgado na véspera. As demais variáveis são da última pesquisa Focus: dólar cotdo a 2,13 reais no fim do ano, IPCA de 5,86%, IGP-DI de 4,72% e Selic média de 8,19% ao ano.

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(com Estadão Conteúdo)