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De ‘ativista’ a político: o caminho de Luciano Hang para as eleições

Apoiador de primeira hora de Jair Bolsonaro, o dono da Havan irá disputar o Senado a pedido do presidente; há pouco tempo, ele negava que seria candidato

Por Felipe Mendes Atualizado em 19 mar 2022, 00h18 - Publicado em 17 mar 2022, 08h30

Quando viu o nome de sua rede de lojas ser ligada à ex-presidente petista Dilma Rousseff, o empresário Luciano Hang não teve dúvidas: lançou mão de uma campanha publicitária maciça. Intitulada “De quem é a Havan?”, as peças mostravam um empreendedor ainda comedido, mas pronto para ocupar os holofotes e demonstrar sua opinião política sem medo das críticas. No início de 2018, mais precisamente em 5 de janeiro daquele ano, o dono da Havan teve um primeiro contato com o então candidato à presidência Jair Bolsonaro, que o instou a se candidatar ao governo de Santa Catarina ou ao Senado. Hang refutou a ideia, mas não deixou de ser um importante cabo eleitoral nas eleições daquele ano. Apesar de ter seu nome ligado a Bolsonaro na época como um possível ministro ou vice-presidente, o empresário se dizia apenas um “ativista político” e afirmou que gostaria de “arrumar o Brasil” gerando empregos. Quatro anos depois, Hang parece que finalmente sucumbiu a seu lado “ativista” e deve anunciar seu destino político em breve.

O próprio Hang havia marcado uma entrevista coletiva para a próxima sexta-feira, 18, mas desmarcou. Em vídeo enviado a aliados pelo WhatsApp nesta quinta-feira, 17, ele diz que remarcou o anúncio de seu destino político para o fim de março, após conversas com “pessoas e partidos”. “Eu percebi que podemos construir um projeto maior e melhor para Santa Catarina, para o Brasil e a favor do nosso presidente”, afirma no vídeo, deixando aberta a possibilidade até mesmo de um cargo executivo, como o governo de Santa Catarina.

Trajetória

Depois de ameaçar deixar o país caso Bolsonaro perdesse as eleições de 2018, Hang virou figurinha carimbada por Brasília. Em diversas ocasiões, apareceu com seu traje verde e amarelo em reuniões do núcleo bolsonarista. Mais recentemente, empenhou-se em aglomerações de motociclistas que apoiavam o presidente e, apesar de afirmar que seu apoio nada tinha a ver com supostos benefícios próprios, envolveu-se em uma polêmica quando Bolsonaro afirmou que demitiu funcionários do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) devido a uma interdição em obras de uma loja Havan.

Ainda assim, sempre refutou a condição de político, mesmo quando desafiado por senadores de oposição durante seu discurso na CPI da Pandemia, em setembro passado. A dupla jornada, no entanto, parece estar próxima de um fim. Em conversas adiantadas com o Partido Liberal, de Valdemar Costa Neto, Hang deixará o dia a dia da Havan para disputar o Senado por Santa Catarina a pedido de Bolsonaro.

Dono de uma rede com faturamento multibilionário e centenas de lojas espalhadas por todo o país, Hang planejou uma transição silenciosa no comando da Havan, empresa da qual ele é cofundador. Tentou, primeiramente, levar a companhia à bolsa de valores, mas encontrou ceticismo do mercado diante de sua proposta de avaliação arrojada: 100 bilhões de reais, algo refutado de cara por especialistas. Diante da dificuldade, o empresário buscou outros meios de financiamento para a empresa superar a pandemia de Covid-19. Para se adequar às regras de compliance do mercado de capitais, a Havan estruturou um conselho de administração, com diversos comitês, e alçou o diretor financeiro Edson Luiz Diegoli ao cargo de CEO — Hang, agora, atende apenas como presidente do conselho de administração.

Embora tenha negado seu interesse de entrar na política nos últimos anos, o empresário já participou de movimentos sindicais no passado. Filho de industriais, Hang foi presidente do Clube dos Estudantes Universitários de Brusque (CEUB) por três anos, chegou a estudar filósofos de esquerda como Karl Marx e Antonio Gramsci, mas se desiludiu com o campo esquerdista e, nos últimos anos, posicionou-se como um dos principais líderes da direita no empresariado. Por meio de vídeos publicados em suas redes sociais, já tirou “sarro” de Lula a Fernando Haddad, passando por Gleisi Hoffmann e o tucano João Doria.

Em entrevistas a VEJA, sempre defendeu uma política econômica ortodoxa e atacou rivais de Bolsonaro: “O Congresso tem de autorizar a venda de todas as empresas estatais”, disse, em fevereiro de 2021. “Sou contra a máquina pública voltar a fazer um movimento desenvolvimentista, a criar uma política que era empregada pela Dilma. Já vimos que isso não dá certo”, reforçou, em abril de 2020. Também chamou João Doria de “comunista” e acusou o governador tucano de transformar o estado em um “cemitério” durante a pandemia de Covid-19. “Fizeram do estado de São Paulo um cemitério. Está tudo fechado. Estão aterrorizando as pessoas”, afirmou ele, no início de 2021.

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