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Crédito evolui de maneira favorável em maio, diz BC

Por Eduardo Cucolo e Fernando Nakagawa

Brasília – O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, afirmou nesta terça-feira que o mercado de crédito evoluiu de maneira favorável em maio, em ritmo mais acentuado que o observado no início do ano. “Estamos observando uma retomada gradual do crédito, após um período de arrefecimento. O custo do crédito tem influência nessa dinâmica. Não víamos queda de juros dessa ordem desde 2003”, afirmou.

Ele destacou ainda que os juros da pessoa física estão no menor patamar da série (38,8% ao ano), iniciada em 1994. Os juros gerais também estão no menor patamar da série (32,9%), nesse caso, iniciada em 2000.

De acordo com Maciel, os juros bancários tiveram um recuo significativo nos últimos três meses e isso repercute tanto o ciclo de política monetária como, mais recentemente, “a iniciativa das instituições financeiras” de reduzir suas taxas. Ele destacou que o spread também vem caindo de maneira significativa.

Por outro lado, ele reconheceu que a inadimplência total está no maior patamar da série, iniciada em junho de 2000, em 6%. Na pessoa física, o 8% de maio é o maior nível de atraso desde maio de 2009, quando estava em 8,5%. Maciel destacou que o patamar elevado da inadimplência é influenciado pelo crédito para pessoa física, particularmente no segmento de veículos, cujos atrasos refletem a expansão desse crédito no segundo semestre de 2010. “Tivemos naquele período uma expansão bastante pronunciada e que ainda repercute na carteira de crédito”, afirmou.

Maciel destacou, no entanto, que as “safras” desse crédito concedido em 2011 mostram qualidade melhor. “Os atrasos cresceram até julho de 2011 e, desde então, tem mostrado retração.”

Na avaliação do chefe do Departamento Econômico do BC, as novas medidas de estímulo ao crédito de veículos não representam perda de qualidade da carteira, pois houve “um processo de aprendizagem” ao longo desses dois anos. “Os bancos se tornaram mais seletivos. Espera-se crescimento, mas com garantia, qualidade e seletividade, de modo que não venha a se traduzir em aumento de inadimplência nos próximos meses.”

Maciel afirmou também que o BC espera ver, já ao final deste ano, retração da inadimplência como um todo. “A expectativa é de que haja acomodação e retração até o final do ano na pessoa física. Pessoa jurídica está mais estável. Pessoa física é que tem determinado o comportamento da taxa como um todo.”