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Consultoria renegociará dívida de R$ 1,2 bi da UTC com bancos

RK Partners, do consultor Ricardo Knoepfelmacher, ajudará empreiteira envolvida na Operação Lava Jato a reestruturar dívida com seis credores

A UTC, do empresário baiano Ricardo Pessoa, um dos delatores da Operação Lava Jato, buscou no mercado um serviço de referência na reestruturação de empresas problemáticas. Contratou a RK Partners, do consultor Ricardo Knoepfelmacher – mais conhecido como Ricardo K. – para renegociar 1,2 bilhão de reais de dívidas com bancos. Os balanços da UTC indicam que a nova missão será um grande desafio.

Na última década Ricardo K se especializou em reorganizar negócios encrencados por brigas societárias e gestões equivocadas. Seu trabalho mais recente foi nas empresas do grupo EBX, de Eike Batista. No mês passado, ele fechou uma parceria com o Cerberus, fundo cuja especialidade é investir em negócio em crise aguda.

A RK Partners deve finalizar um acordo para alongar dívidas com seis bancos credores: Itaú BBA, Bradesco, Banco do Brasil, Santander, HSBC e ABC Brasil. Após a prisão dos executivos de construtoras dentro da Operação Lava, entre eles o próprio Ricardo Pessoa, os bancos se tornaram rígidos com o setor. Mas no caso da empresa de Pessoa, o desafio está ligado diretamente à capacidade de pagamento de sua dívida.

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A RK fará o planejamento financeiro, tentando alongar o prazo da dívida o máximo possível – por cinco, seis até sete anos – e prevendo antecipações de parcelas em caso de venda de ativos. Todos os ativos que sejam interessantes podem ser postos à venda. A prioridade será negociar os menos estratégicos, como os imóveis. Mas o pacote também inclui a venda de participações em grandes empreendimentos, como a do Aeroporto de Viracopos, em Campinas, e a da Linha, na Linha 6 do metrô da capital paulista e até de ativos com problemas como o estaleiro Enseada.

As negociações entre o grupo e os bancos já duram quatro meses. As dívidas estão fracionadas em dezenas de diferentes linhas de crédito, nos mais variados valores. Os bancos já aceitaram reunir os débitos e discutir em conjunto. Por se tratar de uma negociação direta com os credores, o mercado chama as tratativas de “recuperação judicial branca”

(Com Estadão Conteúdo)