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Conselheiro da Petrobras confirma novo modelo de reajuste — mas não diz qual

Sérgio Quintella afirmou que há consenso sobre a criação de um novo modelo, mas negou que plano desenhado pela estatal seja uma reinvenção da conta petróleo

O membro do conselho de administração da Petrobras, Sérgio Quintella, disse nesta terça-feira que o órgão já concordou sobre a necessidade de criação de um modelo que traga previsibilidade ao reajuste de preços de combustíveis. Segundo ele, “há um consenso” sobre a necessidade. Faltam, disse, serem decididos os parâmetros. “O conselho já deu o seu aval à existência de um modelo”, disse a jornalistas durante sua participação na Offshore Technology Conference Brasil (OTC Brasil).

Segundo Quintella, a estatal pretende criar “um mecanismo que evite oscilações, para baixo e para cima”. “É um mecanismo muito inteligente que procura levar em conta os parâmetros principais de preço, como câmbio, por exemplo”, disse.

Quintella disse ainda que o modelo contempla fases de reajuste. O executivo contou que o plano trará estabilidade não apenas financeira, mas também aos investidores da Petrobras. “Acho que estamos no caminho certo. Estamos esperando agora algumas simulações que vão ser feitas”, disse, sobre a proposta apresentada pela diretoria ao conselho de administração. A apreciação está prevista para até dia 22, quando ocorre a reunião de conselho.

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Conta petróleo – O executivo concordou que o modelo de reajuste automático proposto pela Petrobras é uma espécie de jabuticaba, por existir somente no Brasil e não ser inspirado em modelos no exterior. Contudo, negou se tratar da recriação da conta petróleo, artifício criado na década de 1960 para atenuar o impacto da variação dos combustíveis no mercado interno.

A conta recebia os créditos de alíquotas estabelecidas pelo Ministério da Fazenda sobre o preço dos combustíveis e usava tal dinheiro para conceder subsídios. Posteriormente, a ferramenta passou a ser usada diretamente para tabelar o preço da gasolina no mercado doméstico.

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Nova metodologia – A atual política de preços da Petrobras, com reajustes esporádicos que não acompanham valores internacionais no curto prazo e provocam defasagem, está afetando a companhia num momento em que a empresa vem importando derivados para fazer frente ao crescimento do consumo brasileiro, principalmente por diesel. Segundo dados do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE) levantados com exclusividade ao site de VEJA, a empresa perdeu 14 bilhões de reais entre janeiro e agosto ao absorver a defasagem de preços.

A Petrobras quer mais aderência dos preços dos combustíveis que vende no país aos valores praticados no mercado internacional, considerando que as importações se tornaram cada vez maiores devido ao aumento da demanda e à incapacidade da estatal de suprir o mercado local. Se for aprovada, a metodologia permitirá reajustes automáticos conforme a periodicidade determinada pela nova fórmula e a variação de preços de petróleo no mercado internacional. Os reajustes, dessa forma, não vão demandar aprovação de diretoria para serem realizados, disse o diretor da Petrobras, Almir Barbassa, em conferência com analistas na segunda-feira.

(Com Estadão Conteúdo)