Como o resultado negativo dos Serviços afeta a próxima decisão sobre juros, segundo economistas
Queda em novembro confirma desaceleração, mas atividade ainda forte e inflação pressionada adiam o início dos cortes da Selic
O recuo de 0,1% do setor de serviços em novembro trouxe o primeiro sinal concreto de desaceleração de um dos principais motores da economia, justamente o segmento que mais pesa nas decisões do Banco Central. Para economistas, o dado reflete efeitos dos juros altos, mas ainda não é suficiente para justificar cortes na Selic já em janeiro, mantendo a aposta da maioria do mercado de que em março ocorra o início do ciclo de cortes.
Para Ramon Coser, da Valor Investimentos, o avanço de 2,7% no acumulado de 2025 mostra uma economia ainda longe de um pouso forçado. “O setor de serviços continua em expansão. É um dos principais indicadores que o Banco Central olha para a taxa de juros. Essa queda de 0,1% indica que está começando a ter uma desaceleração, mas não tão forte”, afirma. Segundo ele, o número reforça que, em janeiro, não haverá alteração na taxa de juros. “Em março está bem contratado pelo mercado um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic”, diz.
A leitura é compartilhada por André Valério, economista sênior do Inter, que chama atenção para o enfraquecimento na margem. “O crescimento de 2,7% no acumulado dos últimos 12 meses é o menor desde abril de 2025, indicando a perda de dinamismo do setor”. Ainda assim, o nível de atividade segue elevado. “O setor de serviços está 20% acima do nível pré-pandemia e apenas a 0,1% de distância do recorde da série histórica”, destaca. Para o BC, porém, o principal problema segue sendo a inflação. “Ainda vemos a inflação do setor pressionada, tendo encerrado 2025 com alta de quase 6%, bem distante da meta de 3%”, diz, o que deve manter o Copom em compasso de espera em janeiro, “adiando o corte para março”.
Na mesma linha, Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, avalia que o dado confirma o diagnóstico oficial de desaceleração gradual. “O indicador já apresenta alguns sinais de enfraquecimento em um segmento que tem sido um dos principais motores da economia”, afirma.
Para ela, porém, o número não é suficiente para mudar os rumos na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). “Isoladamente, não parece suficiente para neutralizar a mensagem de um mercado de trabalho ainda forte”. O enfraquecimento ajuda a reduzir o risco de um BC mais duro. “A confirmação de uma desaceleração da atividade contribui para reduzir as apostas em uma possível postergação dos cortes”, diz.
Claudia Moreno, economista do C6 Bank, afirma que o desempenho do maior setor do PIB reflete um ponto de inflexão suave. “Mesmo com o leve recuo em novembro, o setor de serviços continua sólido, tendo contribuído para sustentar o crescimento da economia em 2025”, afirma. Segundo ela, a desaceleração já aparece nos dados. “A economia brasileira perdeu fôlego em relação a 2024, reflexo dos juros mais altos, que tendem a limitar o consumo e desestimular investimentos.” No radar do banco, isso não muda a estratégia do Copom: “Os números da PMS não mudam nossa projeção de que a Selic vai ser mantida em 15% na próxima reunião. Acreditamos que o ciclo de cortes deve começar em março.”





