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Consumo de café em cápsulas avança no país

Importado ou fabricado no país, café em monodose caiu nas graças do consumidor brasileiro que gosta de saborear diferentes intensidades

Os hábitos de consumo de café do brasileiro mudaram muito na última década. Hoje, a venda de café monodose, aquele distribuído em cápsula, cresce mais que a do produto em pó. Mas isso acontece porque sua sua participação ainda é bem pequena considerando o total da população.

A maioria dos brasileiros ainda consome o café em pó. No futuro, entretanto, essa diferença pode diminuir. Hoje, o café em cápsula representa 0,9% do consumo de café do país, mas deve subir para 1,1% até 2021. No mesmo período, a participação do café em pó deve oscilar de 80% para 81%.

Quando chegou ao Brasil, em 2006, o café em cápsula era vendido apenas pela Nespresso. Na época, o país só tinha acesso ao produto importado, que vinha da Suíça, onde estão localizadas três grandes fábricas da empresa. Com a queda de mais de mil patentes, em 2013, começaram a ser produzidos modelos compatíveis ao formato da máquina fabricada pela Nestlé.

Essas marcas “genéricas” desenvolveram um mercado paralelo que popularizou o consumo de café monodose. Além de mais baratos, eles são encontrados em supermercados, o que não acontece com as cápsulas da Nespresso, vendidas apenas no site da marca e em butiques e quiosques próprios. “Fazemos apenas venda direta porque queremos conhecer o nosso consumidor”, explica Claudia Leite, gerente de cafés e sustentabilidade da Nespresso.

Para Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), o avanço do café em cápsula pode ser explicado por fatores como praticidade, conveniência e qualidade.

A popularização do consumo de café em cápsula também tirou da cozinha as máquinas que preparam a bebida. “A máquina de café foi para a sala. Hoje, o consumidor tem a sua escolha produtos para as variadas horas do dia: um café mais intenso para a manhã, um mais suave para a tarde e um descafeinado à noite”, diz o gerente de marketing da Três Corações, João Carlstron.

Há cinco anos, o consumo de café em cápsulas cresceu de 40% a 50% ao ano. Depois, a média anual passou a ser de 9%, segundo Herszkowicz. Ele explica que o crescimento é menor, “mas mostra uma categoria que cresce mais do que o café como um todo, que é de 3,5% ao ano”.

A Nespresso não divulga números, mas a marca está presente em 70 países e o Brasil está entre os dez primeiros que mais consomem o café da empresa. “Historicamente, o brasileiro formou o paladar para cafés mais torrados”, acrescenta Claudia.

Se antes 100% das cápsulas eram importadas, hoje em dia, com as fábricas que se instalaram no Brasil, a importação diminuiu bastante. Na Três Corações, por exemplo, o café produzido e torrado aqui era enviado para a Itália. Lá, ele era encapsulado e depois era importado pelo Brasil. No ano passado, porém, a empresa começou a fabricar as cápsulas em Montes Claros (MG). Desde então, toda a linha de expressos é produzida no Brasil.

No caso da Nespresso, todas as cápsulas continuam sendo importadas da Suíça. O Brasil é o principal fornecedor de café para a marca, além de outros 11 países. Em Barueri, cidade da Grande São Paulo, existe um centro de distribuição e de reciclagem. “O café brasileiro é usado em um blend. Por enquanto, não justifica a abertura de uma fábrica no país”, explica Claudia Leite.

Produção e exportação

O Brasil é um dos maiores países produtores de grãos e de café solúvel. O consumo por aqui também não fica atrás. Dados da Abic apontam que, quando falamos em café em cápsulas, em 2016 consumimos 9 mil toneladas de café. No ano seguinte, o consumo aumentou para 10 mil toneladas e a previsão é que neste ano suba para 11 mil toneladas, atingindo 14 mil toneladas em 2021. No mundo, porém, de 2011 a 2016 o mercado das cápsulas cresceu 13,8% e a expectativa de 2016 a 2021 seja de apenas 6,2%.

Quando se fala em exportação, o café, que já foi um dos nossos principais produtos cultivados em solo brasileiro, continua sendo bastante requisitado no mercado externo, principalmente na Alemanha e nos Estados Unidos, primeiro e segundo colocados no consumo do café brasileiro. Porém, em março deste ano, a exportação caiu 11% em relação ao mesmo período do ano passado, mas 1% maior do que em fevereiro deste ano, de acordo com dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

“Em março, tivemos uma boa exportação, configurando um desempenho justo, alinhado ao que havíamos previsto. O mercado está otimista e já de olho na próxima safra devido às boas condições climáticas nas regiões produtoras”, afirma Nelson Carvalhaes, presidente do Cecafé.

Mesmo que os números sejam menores, o “café mantém uma performance positiva”. “Isso acontece porque o café é mais do que uma bebida, é um produto que promove momentos de socialização”, completa. Ele diz ainda que a tendência de crescimento do consumo mundial na média de 2% ao ano se mantém e a boa reputação do café brasileiro garante que esteja sempre com uma demanda atraente.

Se o Brasil seguir a tendência de produzir o café e também as cápsulas, é bem possível que a exportação deste modelo também cresça. Herszkowicz acredita que o Brasil vai começar a exportar para países que formam o Cone Sul (Argentina, Chile e Uruguai), principalmente em locais cujos mercados estão começando. O Dia Mundial do Café foi celebrado neste sábado, 14 de abril.