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Com pancadaria eleitoral, Bolsa recua 6% e Petrobras perde 12% na semana

Apenas nesta sexta-feira, os papéis da petroleira estatal fecharam em queda superior a 5%; Ibovespa caiu 2,4%

Por Da Redação 12 set 2014, 16h35

(Atualizada às 18h00)

As ações da Petrobras fecharam em queda de mais de 5% nesta sexta-feira, pressionando o Ibovespa, que recuou 2,4%, a 56.927 pontos. Os papéis da estatal abriram o pregão em queda, que foi intensificada após as 14 horas, quando o recuo das ações ordinárias, com direito a voto, chegou a 6%. As ações ON, com direito a voto, caíram 5,46%, enquanto os papéis PN, sem direito a voto, recuaram 5,61%. Investidores conduzem um movimento de venda das ações da empresa conforme as pesquisas eleitorais divulgadas ao longo da semana mostram o fortalecimento da candidata Dilma Rousseff à reeleição. Na semana, o Ibovespa acumulou perdas de 6% e, no mês, de 7%, conforme dados preliminares. Já a estatal perdeu 12% de seu valor de mercado entre segunda e sexta.

Pesquisa feita pelo Ibope e encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada nesta sexta-feira mostra Dilma com 39% das intenções de voto, Marina com 31% e Aécio, 15%. Simulação de segundo turno aponta Marina à frente, mas tecnicamente empatada com a petista: 43% contra 42% da preferência do eleitorado. “O Ibovespa acompanhou a divulgação da pesquisa Ibope de hoje, que confirmou a recuperação das intenções de voto em Dilma, o que envidenciou que a eleição não está confirmada para nenhum lado, e que o cenário de incerteza persiste”, afirmou a equipe de análise da SLW Corretora.

Estatais em queda

Pancadaria eleitoral na semana faz ações recuarem

BM&FBovespa – de 08 a 12 de setembro

Cenário eleitoral – Pesam sobre o papel da estatal não só a pesquisa, como também as denúncias feitas sobre um esquema de pagamento de propina a partidos políticos denunciado em reportagem de VEJA. Desde a revelação de nomes do alto escalão do Congresso envolvidos no esquema, as ações da Petrobras operam em queda, que se aprofundou após as pesquisas que mostram o pouco impacto das denúncias nas intenções de voto dos brasileiros.

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Além da Petrobras, as ações de bancos e estatais recuaram. Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e BTG Pactual fecharam em queda de mais de 3%. Santander foi o único que operou em alta, fechando com papel cotado a 15,73 reais, avanço de 1,29%. As ações do banco vêm subindo após a morte de seu fundador na terça-feira, o empresário espanhol Emilio Botín. Já a Eletrobras recuou 1,18% no fechamento do pregão desta sexta-feira. “Na semana, mesmo com a perspectiva de rebaixamento anunciada pela Moody’s, o desempenho Ibovespa foi causado, principalmente, pelo resultado de pesquisas eleitorais”, afirma Álvaro Bandeira, da Órama Investimentos.

Bancos – As ações das instituições financeiras vêm recuando na bolsa desde segunda-feira, quando a presidente Dilma decidiu retomar o discurso petista dos anos 1980 de que os bancos são o inimigo a ser combatido.

Tanto em campanha na rua quanto em seu programa eleitoral na TV e no rádio, a candidata passou a valer-se da estratégia de associar banqueiros à causa dos males que atingem a população.

A intenção é atingir a candidata Marina Silva (PSB), que tem em sua equipe Neca Setúbal, acionista do banco Itaú. Dilma também se apropriou de um dos pontos do programa de governo de Marina, a autonomia do Banco Central, para desferir críticas. Para a candidata, um BC autônomo será gerido em prol dos interesses de banqueiros. Temendo maior interferência do governo no sistema financeiro caso Dilma se reeleja, investidores têm fugido dos papéis das principais instituições bancárias.

Dólar – O dólar fechou esta sexta-feira com a maior alta ante o real em quase dez meses, também sob efeito da pesquisa eleitoral. Agentes do mercado avaliaram que o resultado da sondagem CNI/Ibope divulgada nesta manhã jogou um balde de água fria no otimismo do mercado sobre uma vitória da oposição. A divisa chegou a subir mais de 2% e encostar em 2,35 reais durante a sessão, mas o movimento perdeu força na última hora do pregão.

Isso porque investidores passaram a se posicionar para um possível anúncio de uma atuação mais forte do Banco Central para combater a volatilidade do câmbio e potenciais impactos sobre a inflação provocados pelo encarecimento de importados.

A moeda norte-americana subiu 1,65%, a 2,3351 reais na venda, após atingir 2,3475 reais na máxima do dia. Na semana, o dólar avançou 4,26%, maior valorização semanal em um ano.

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