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Com liquidez estreita, DIs curtos ficam perto do ajuste

Por Márcio Rodrigues

São Paulo – Depois de absorver o impacto do IBC-Br de novembro, que veio positivo em 1,15% após três meses no vermelho, o mercado de juros futuros devolveu um pouco dos prêmios acumulados pela manhã, mas também não cedeu para além dos ajustes na parte curta da curva a termo. Isso porque, se os riscos para a atividade doméstica se mostram relativamente menores, o mesmo não se pode dizer sobre o exterior, onde a negociação entre Grécia e credores preocupa e os rebaixamentos de vários países, entre eles a França, indicam que a volatilidade deve persistir nos negócios.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (148.760 contratos) estava em 10,02%, de 10,01% no ajuste, enquanto o DI janeiro de 2014 (86.365 contratos) indicava 10,50%, nivelado ao fechamento de sexta-feira. Entre os longos, o DI janeiro de 2017, com giro de 23.085 contratos, cedia a 11,11%, de 11,16%, e o DI janeiro de 2021 (apenas 375 contratos) recuava para a mínima de 11,33%, ante 11,38% no ajuste.

Parte da oscilação pequena das taxas futuras também se deve à ausência de liquidez. Como o mercado norte-americano não funcionou em virtude do dia de Martin Luther King, os negócios foram ficando mais enxutos à tarde, quando também não havia indicadores locais ou externos a serem conhecidos. A pesquisa Focus, divulgada logo cedo pelo Banco Central, não trouxe grandes novidades. Os analistas reiteraram a expectativa de que a Selic termina este mês em 10,50%. A sondagem trouxe pequeno ajuste na projeção do IPCA 2012 (de 5,31% para 5,30%) e no PIB deste ano (de 3,30% para 3,27%). A mediana das projeções para o IPCA de janeiro recuou de 0,59% para 0,57%.

Em relação à inflação corrente, o IPC-S avançou 0,97% no período até 15 de janeiro, acima do índice imediatamente anterior, de até 7 de janeiro (+0,93%). Esta foi a maior taxa para o indicador desde a segunda semana de maio de 2011, quando houve alta de 1,09%.

No exterior, a decisão de rebaixamento em série de ratings europeus foi recebida sem grandes tensões e os investidores estão atentos às negociações sobre a Grécia, diante de divergências entre os credores e os negociadores sobre as condições da troca acertada anteriormente de títulos do país. Em relação à França, menosprezando a decisão da Standard & Poor’s, os investidores absorveram títulos soberanos do país sem subir os prêmios. Foram 8,59 bilhões de euros em bônus, com yields (retorno pago aos investidores) levemente menores em relação aos leilões anteriores.