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Com “carro voador” e estratégia ESG, ações da Embraer voltam a decolar

Após cair de 20 para 6 reais durante a pandemia, a empresa brasileira adotou um plano de recuperação robusto e os papeis cresceram mais de 180% em um ano

Por Luisa Purchio Atualizado em 24 ago 2021, 16h18 - Publicado em 24 ago 2021, 15h06

O ano de 2020 foi o pior para a Embraer desde a privatização da companhia, em 1994, e os papeis da empresa chegaram a cair de 20 para seis reais no auge da pandemia. Menos de um ano depois, no entanto, o valor dos ativos na bolsa de valores se recuperam de maneira impressionante, com valorização acima de 180% e ações batendo os 22 reais.

A alta rápida deve-se à boa execução do plano de recuperação, que se somou à retomada do nível de viagens aéreas com o avanço da vacinação pelo mundo, o que foi positivo para a aviação comercial, além da forte demanda por aviação executiva no período da pandemia. Já o plano de recuperação, em si, consiste em programas contínuos de eficiência, margem operacional positiva e melhoria no fluxo de caixa livre em 2021, consolidação do programa de sustentabilidade (ESG, na sigla em inglês) e parcerias e novos programas para oportunidades adicionas de crescimento. A expectativa para a companhia a partir de 2022 é de crescimento e as notícias sobre a empresa continuam impulsionando os ativos para cima.

Nesta semana, o anúncio da parceria da Eve, um spin-off da Embraer dedicado à Mobilidade Aérea Urbana (UAM), com a Ascent, uma das maiores empresas do setor na Ásia-Pacífico, deu mais um impulso para as ações. Na segunda-feira, 23, os papeis EMBR3 encerraram o pregão em alta de 5,28%, a 20,92 reais, se aproximando da maior alta no último ano, no dia 15 de junho, de 21,38 reais. Nesta terça-feira, a tendência continua e no início da tarde as ações subiram cerca de  8%, para 22,50 reais, ainda aproveitando os bons ares do comunicado de ontem.

A parceria com a Ascent consiste no fornecimento pela Eve de 100 mil horas de voo no eVTOL (Veículo elétrico de pouso e decolagem vertical), conhecido como “carro voador”. Trata-se de um veículo elétrico de decolagem e pouso na vertical, também chamado de EVA (Aeronave Elétrica Vertical, na sigla em inglês). Para isso, até 100 aeronaves serão fornecidas pela Eve para serem utilizadas pela plataforma da Ascent, que funciona como um aplicativo sob demanda.

  • “A Ásia Pacífico e o próprio sudeste asiático, que engloba Singapura, onde fica a sede da Ascent, é uma região populosa e em desenvolvimento, com grande potencial para novos negócios”, diz João Vítor Freitas, analista da Toro Investimentos. Além de Singapura, o veículo será utilizado em cidades grandes como Bangkok, na Tailândia, Manila, nas Filipinas, Melbourne, na Austrália, e Tóquio, no Japão.

    Recuperação pós-pandemia

    Em análise divulgada na segunda-feira, 23, o BTG Pactual, por exemplo, reiterou a classificação de compra de ações, sobre a empresa, após o anúncio na sexta-feira pela Embraer, via comunicado de fato relevante, de expansão da rede de serviços para jatos executivos nos Estados Unidos, por meio da abertura de três centros de suporte para manutenção programada e não programada, troca de peças e inspeções.

    “O fortalecimento da rede de serviços da Embraer para jatos executivos nos Estados Unidos vem depois de um resiliente desempenho desta unidade de negócios durante a pandemia. No futuro, esperamos que a demanda por jatos executivos continue forte uma vez que os indivíduos de alta renda devem mudar suas preferências de viagem para jatos particulares, pois são muito menos lotados e reduziram o risco de contaminação”, diz a análise do BTG Pactual. “Além disso, a Embraer também se beneficia com a recuperação da aviação com a vacina, bem como da crescente conscientização de sua unidade de negócios eVTOL”. No que depender dos planos e da execução apresentada até agora, os papeis da empresa tem tudo para alçar voos mais altos.

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