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Com alta de 1,7%, dólar fecha a quase R$ 1,90

A crise da dívida na Europa empurrou o dólar a quase 1,90 real e derrubou as projeções de juros na BM&FBovespa nesta quinta-feira, dia de pouco volume por conta do feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos. O dólar fechou a 1,8921 real, mas, na máxima do dia, chegou a ser cotado a 1,9036 real, maior nível desde 3 de outubro.

Com isso, aumentou a expectativa por novas atuações do Banco Central, que ainda não interveio no mercado em novembro. Operadores listaram como possíveis ações a realização de leilões de swap cambial (venda no mercado futuro), a venda de dólares no mercado à vista ou a oferta de linhas de crédito em dólar.

Selic – Enquanto isso, o mercado de juros futuros mostrou apostas mais firmes em um corte de 0,75 ponto percentual da Selic na reunião da próxima semana do Comitê de Política Monetária (Copom), com operadores acreditando que o BC daria um estímulo maior à economia diante da deterioração do cenário externo.

A aposta, porém, contraria a expectativa unânime de 32 economistas ouvidos pela reportagem, que esperam corte de 0,5 ponto da Selic, para 11 por cento ao ano.

Merkel e Sarkozy – O mau humor do mercado se consolidou após a entrevista coletiva da chanceler alemã, Angela Merkel, do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e do premiê italiano, Mario Monti.

Merkel, negando informações que circularam na noite de quarta-feira após uma reportagem do jornal alemão Bild, disse que eventuais mudanças nos tratados da União Europeia rumo a uma maior união fiscal não mudarão sua postura contrária à emissão de bônus conjuntos da zona do euro.

Além disso, Merkel e Sarkozy concordaram em parar de discutir em público sobre o papel do Banco Central Europeu (BCE) na crise da dívida da zona do euro.

Antes da entrevista, autoridades francesas disseram que Sarkozy pressionaria Merkel a mudar de opinião. A emissão de bônus conjuntos da zona do euro é considerada por muitos como uma das poucas saídas para a crise da zona do euro, mas enfrenta rejeição na Alemanha, que na prática acabaria assumindo parte das dívidas de outros países europeus.

Portugal – Mais cedo, a agência de classificação de risco Fitch reduziu a nota da dívida de Portugal de “BBB-” para “BB+”, dentro do grau especulativo.

Bovespa – No mercado de ações, o Ibovespa fechou em território positivo após cinco quedas consecutivas, voltando a ficar acima de 55 mil pontos. Na agenda local de indicadores, a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país caiu para 5,8% em outubro ante setembro, menor patamar para o mês em nove anos. Mas a queda na renda média mensal do trabalhador e a fraqueza das contratações na indústria sugerem que o mercado de trabalho pode estar perdendo fôlego.

Além disso, o Tesouro Nacional vendeu em leilão nesta quinta-feira 4,75 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN), da oferta de 4,8 milhões de títulos.

(Com Reuters)