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CMN deve manter meta de inflação em 4,5% para 2014–fontes

Por Da Redação - 19 jun 2012, 16h39

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 18 Jun (Reuters) – A crise internacional vai, mais uma vez, impedir reduções na meta oficial de inflação do governo. Na próxima semana, o Conselho Monetário Nacional (CMN) definirá o objetivo de 2014 que, segundo fontes ouvidas pela Reuters, tende a ficar em 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Esse objetivo vem sendo fixado desde 2006 e deverá permanecer até o último ano do governo da presidente Dilma Rousseff. No mesmo encontro, marcado para o dia 28, o CMN reafirmará ainda a meta de 4,5 por cento, com o mesmo intervalo de tolerância, para 2013.

Sondagem feita pela Reuters no governo indica que o alto grau de incerteza da economia mundial e os reflexos desse cenário no Brasil -já com redução das perspectivas de crescimento- mostram que a tendência dos ministros que integram o CMN é optar por manter a meta oficial do governo.

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O conselho é formado pelos titulares dos ministérios da Fazenda e do Planejamento, além do presidente do Banco Central.

Dentro do BC, há tempos prevalece a ideia de que a meta de inflação brasileira é elevada, ainda mais se comparada com outras economias, mas reduzi-la tem sido colocado em segundo plano desde o início mais agudo das turbulências internacionais, em 2008/2009.

A avaliação é que, mudar um parâmetro econômico tão importante em momentos de incerteza é perigoso devido à volatilidade inerente às crises. Os demais integrantes do conselho também concordam e, além disso, temem os impactos negativos desses solavancos sobre a atividade econômica.

O próprio presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, vem dando sinais de ceticismos sobre a melhora no fronte externo. Recentemente, ele afirmou que a crise deve durar dois anos.

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“Teremos ao longo dos próximos meses, próximos trimestres, quem sabe ao longo dos próximos dois anos, um cenário ainda caracterizado por volatilidade dos mercados internacionais e um cenário de crescimento baixo”, avaliou ele durante apresentação no Senado.

A postura de cautela prevalece até mesmo sobre o cenário externo considerado desinflacionário, como vem ressaltando o próprio BC, o que, em teoria, poderia abrir caminho para mais reduções na meta de inflação.

Na avaliação do Copom sobre essa questão, uma fonte próxima à equipe econômica sugere leitura atenta do 11º parágrafo da última ata do comitê, divulgada no último dia 8. Esse trecho traça um cenário pessimista para o Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

“A economia mundial enfrenta período de incerteza acima da usual, com elevada aversão ao risco, e perspectivas de baixo crescimento”, relata a ata. “Persistem riscos elevados para a estabilidade financeira global, entre outros, devido à exposição de bancos internacionais às dívidas soberanas de países com desequilíbrios fiscais”, prossegue.

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FAZENDA E PLANEJAMENTO

Outras indicações de que não haverá mudança na meta para a inflação 2014 partem dos demais integrantes do CMN. No Ministério do Planejamento, a informação é que a pasta costuma se orientar por parâmetros macroeconômicos elaborados pela pasta da Fazenda que, atualmente, coloca a meta de inflação de 2014 ainda em 4,5 por cento.

Essas variáveis, considerando a meta de IPCA inalterada, estão sendo usadas pelo Planejamento para montar o Orçamento da União de 2013, que será enviado ao Congresso em agosto.

Embora esse seja um procedimento padrão do Planejamento para efeito de elaboração do Orçamento, não deixa de ser uma sinalização relevante a indicação de que também em 2014 a previsão é de permanência da meta oficial.

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Para 2012, a equipe econômica passou a trabalhar com estimativa de crescimento bem mais modesta que os 4,5 por cento inicialmente calculados.

A presidente Dilma também colocou em sua agenda prioritária a redução de juros no país ao longo do seu mandato, defendendo que o Brasil será plenamente competitivo quando as taxas forem iguais às praticadas no mercado internacional.

Para tanto é necessário, entre outros fatores, que não haja uma meta de inflação menor que a que vem sendo fixada desde 2006, afim de que a política monetária possa ser calibrada sem considerar um alvo mais ambicioso que o que vem sendo perseguido.

Atualmente, a inflação está sob controle no país e, diante do cenário mais fraco de atividade econômica, não é uma preocupação importante. Em maio, o IPCA ficou em 0,36 por cento, bem abaixo dos 0,64 por cento verificado em abril.

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