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China proíbe meganavios e prejudica Vale

Navios com capacidade maior que 300 mil toneladas não podem mais atracar nos portos chines. A medida entra em vigor imediatamente

Por Da Redação - 31 jan 2012, 10h19

O governo chinês não permitirá mais que navios capacidade maior que 300 mil toneladas, atraquem em seus portos, informou o Ministério do Transporte do país nesta terça-feira. A medida, que entra em vigor imediatamente, mina os planos da mineradora Vale de utilizar seus megacargueiros que podem carregar até 400 mil toneladas para suprir seu principal mercado de minério de ferro.

Antes, os navios que excediam a capacidade aprovada de 300 mil toneladas eram avaliados caso a caso, mas segundo as informações do ministério em seu website, agora os navios cargueiros e petroleiros gigantes estão proibidos. O comunicado surge um mês depois da Vale tentar descarregar o navio Berge Everest, com 388 mil toneladas de minério de ferro, no porto de Dalian – rapidamente gerando protestos da influente associação de armadores chinesa. Fontes da indústria disseram que a entrada do navio nesse caso deve ter ocorrido por uma falha burocrática, já que as permissões podiam ser emitidas por autoridades das províncias.

O Ministério do Transporte chinês admitiu a decisão de proibir navios gigantes também foi motivada em parte pela crise que assola a indústria de navegação chinesa, assim como assuntos de segurança marítima. Com a desaceleração econômica em importantes regiões no mundo, como a Europa, a demanda por embarcações, muitas delas construídas e operadas por companhias chinesas, caiu, levando também os valores do frete marítimo para baixo.

Outro ponto analisado pelo governo chinês é o lobby contrário das empresas. Como a frota dos megacargueiros da Vale são mais competitivos que outras embarcações, pelos ganhos de escala, a China Shipowners Association e as siderúrgicas disseram que a frota de meganavios da Vale pode ser um “Cavalo de Troia”, que permitiria à mineradora monopolizar os mercados de minério de ferro às custas da China.

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Vale fica dependente de frete – Com Pequim mantendo seus portos fechados aos Valemax, a mineradora terá de depender do transporte mais caro feito por embarcações que fazem o transbordo da carga em outros países na região para abastecer o maior consumidor de minério de ferro. Até o momento, a Vale mantinha a posição de que a dificuldade de entrada de seus meganavios na China ocorria principalmente pela falta de adaptação dos portos do país, evitando reconhecer uma motivação política relacionada à crise dos armadores chineses.

Consultada nesta terça-feira sobre a decisão do governo chinês, a área de comunicação da Vale informou que não comentaria imediatamente o tema. Uma fonte na companhia familiarizada com a situação disse à Reuters que a Vale ainda buscava uma confirmação diretamente com o governo chinês da proibição dos meganavios. Afirmou também que caso a proibição se mantenha, a alternativa será utilizar países como Filipinas e a Malásia para atracar as embarcações, e repassar o minério a navios menores, que seguiriam para a China.

(Com Reuters)

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