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CÂMBIO-Dólar volta a subir com cautela no exterior por Grécia

SÃO PAULO, 6 Fev (Reuters) – O dólar voltava a operar com valorização ante real nesta segunda-feira, após registrar quatro quedas consecutivas, com os mercados internacionais apreensivos sobre se a Grécia conseguirá chegar a um acordo para receber novo resgate financeiro e assim evitar um calote desordenado.

Às 11h04 (horário de Brasília), a moeda norte-americana era negociada a 1,7275 real para venda, em alta de 0,61 por cento.

A Grécia deixou passar nesta segunda-feira outro prazo para responder sobre os duros termos da ajuda oferecida pela União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Caso não haja um acordo para garantir os 130 bilhões de euros em empréstimos emergenciais, Atenas pode ser obrigada a dar um desastroso calote em suas obrigações de dívida –pondo em risco seu futuro na zona do euro.

“A Grécia ainda é um fator confuso e, com isso, o dólar acompanha o mercado internacional, a despeito das pesadas entradas de fluxo no país”, afirmou o consultor financeiro da distribuidora de títulos e valores mobiliários Previbank DTVM, Jorge Lima.

Entre emissões de várias empresas, a Petrobraslançou na última quarta-feira a maior captação de uma companhia brasileira no exterior, de 7 bilhões de dólares em bônus.

Nesta segunda-feira, o frigorífico Minervainformou ter emitido 350 milhões de dólares em notas no mercado internacional, com vencimento em fevereiro de 2022, registrando forte demanda.

Com a expressiva entrada de recursos e consequente queda do dólar, o Banco Central voltou a intervir no mercado de câmbio na sexta-feira, realizando um leilão de compra de dólares a termo. Esta foi a primeira intervenção da autoridade monetária no mercado de câmbio neste ano e a primeira operação desse tipo desde 26 de julho de 2011.

Na sexta-feira, a divisa perdeu 0,27 por cento, acumulando desvalorização de 1,24 por cento na semana e de 8,10 por cento no ano.

Para Lima, a intervenção do BC na sexta-feira teve papel de apenas amortecer a queda. “Nem o Banco Central, nem ninguém tem condições de inverter uma tendência, mas apenas de amortecê-la”, afirmou. “E toda vez que ameaçarem (o patamar) de 1,70 real, o BC vai entrar, o que pode acontecer a qualquer momento”, completou o consultor.

Lima destacou ainda que o movimento de alta é também um ajuste de mercado, em meio ao acúmulo de quedas do dólar no começo do ano e com o pessimismo dos mercados internacionais.

Em relação a uma cesta de moedas, o dólar subia 0,56 por cento, enquanto o euro cedia 0,41 por cento, cotado a 1,3058 dólar. Nas bolsas de valores, o índice das principais ações europeias FTSEurofirst 300 registrava queda de 0,28 por cento e os futuros dos índices acionários norte-americanos apontavam um pregão no vermelho em Wall Street.(Por Natália Cacioli; Edição de José de Castro)