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CÂMBIO-Dólar cai 0,67%, por Grécia, e mercado mantém olho no BC

Por Da Redação 13 fev 2012, 16h34

(Texto atualizado com mais informações e comentários do mercado)

SÃO PAULO, 13 Fev (Reuters) – O dólar fechou em queda diante do real nesta segunda-feira, interrompendo movimento de duas altas seguidas e sem que o Banco Central tenha atuado para conter a desvalorização, em meio à melhora das perspectivas para a economia global com a aprovação de um pacote de medidas fiscais pela Grécia.

A divisa dos Estados Unidosfechou a 1,7150 real para venda, em queda de 0,67 por cento. Em relação a uma cesta de moedas, o dólar recuava cerca de 0,20 por cento.

Segundo o gerente de operações da corretora B&T, Marcos Trabbold, a desvalorização do dólar só não foi maior porque a solução do impasse grego já estava precificada pelo mercado. A aprovação das medidas de austeridade era a condição para a Grécia receber mais ajuda financeira internacional e evitar um calote desordenado de sua dívida.

A trajetória de queda do dólar mantém a expectativa de novas intervenções do Banco Central no mercado, disse Trabbold. O BC voltou a atuar no mercado em 3 de fevereiro, realizando até o momento dois leilões de compra a termo e um leilão à vista. ID:nL2E8D82XK]

“O BC vai realizar leilões e medir o impacto”, disse Trabbold. Caso a medida não seja suficiente para segurar a cotação da moeda norte-americana, o BC pode vir com novas medidas, como leilões de swap cambial, afirmou o gerente da B&T.

Ele descartou, porém, a possibilidade de uma nova elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no mercado de derivativos cambiais, como ocorreu em meados do ano passado.

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No final de julho, um dia depois de o BC realizar seu última leilão a termo do ano passado, o governo anunciou uma taxação sobre as exposições em derivativos cambiais, feitas tanto por instituições financeiras quanto pessoas físicas, em um esforço para reduzir as apostas contra o dólar e conter a valorização do real. Naquele momento, o dólar estava cotado próximo a 1,55 real.

“Não seria o caso agora, porque a situação lá fora ainda é instável”, disse Trabbold, lembrando que um novo agravamento da crise internacional pode reduzir o fluxo de recursos externos para o Brasil e fortalecer o dólar sem que o BC precise adotar alguma medida mais drástica.

O fluxo cambial positivo ainda é o principal responsável pela queda do dólar, na opinião do gerente de operações do Banco Confidence, Felipe Pellegrini. “O cenário externo ainda tem algum impasse; o povo está pressionando o governo da Grécia [contra as medidas]”, observou Pellegrini.

O Brasil registrou em janeiro o maior superávit cambial em quatro meses, de acordo com dados do BC, que apontaram também continuidade nos ingressos de recursos no início de fevereiro.

Pellegrini também acredita que o BC vai realizar novas intervençes para evitar que a cotação do dólar fique abaixo do “piso informal” de 1,70 real. “Mas se o fluxo continuar positivo, o BC pode não conseguir segurar [a cotação]”, afirmou.

Ele ressalvou, porém, que até agora a moeda dos EUA tem se mantido acima daquele patamar, ainda que com a ajuda das intervenções do BC. “As nossas importações também diminuíram”, observou.

A balança comercial brasileira passou a acumular superávit pela primeira vez no ano, de 59 milhões de dólares, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio nesta segunda-feira. O saldo foi obtido graças ao superávit de 1,155 bilhão na segunda semana de fevereiro. Até a semana anterior, havia déficit de 1,095 bilhão de dólares.(Por Hélio Barboza; Edição de Patrícia Duarte)

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