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Cada vez mais pessimistas, economistas preveem retração de quase 6% no PIB

Segundo analistas do mercado financeiro ouvidos pelo BC para o Boletim Focus, tombo neste ano deve ser de 5,89%; é a 15ª vez seguida que a projeção cai

Por Larissa Quintino - Atualizado em 25 Maio 2020, 09h11 - Publicado em 25 Maio 2020, 08h43

O pessimismo de analistas do mercado financeiro quanto ao tombo no desenvolvimento econômico do país é maior a cada semana. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira, 25, o Produto Interno Bruto (PIB) de 2020 deve apresentar uma contração de 5,89% – na última semana, a estimativa era de queda de 4,11%. O cenário de terra arrasada leva em consideração a evolução da pandemia do coronavírus no país – já são mais de 363 mil casos e 22 mil mortes – que traz incerteza quanto à paralisação de atividades econômicas, além da tumultuada cena política. Para 2021, a projeção do mercado é de um crescimento de 3%. Essa foi a décima quinta vez consecutiva que a previsão de resultado da economia para este ano foi revisada.

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A crise do coronavírus atingiu o país no ano em que se esperava uma reação da economia, que dava sinais de recuperação da crise vivida entre 2015 e 2016. No início do ano, quando a pandemia do coronavírus estava concentrada na China e não se sabia ao certo quando e como chegaria ao Brasil, os especialistas estimavam crescimento econômico para este ano na casa de 2,3%.

A projeção do mercado é pior do que a do governo. Atualmente, o Ministério da Economia prevê recessão de 4,7%, em um cenário em que a quarentena acabe no próximo dia 31 de maio. Nos cálculos da equipe econômica, cada semana a mais de paralisação, gera queda de 0,7% no PIB deste ano. Caso a previsão do mercado financeiro para o resultado da economia brasileira se confirme, a queda do PIB de 2020 será ainda maior do que a registrada em 2016, ano do impeachment de Dilma Rousseff, quando a economia retraiu 3,3%. Com a evolução da doença, estados e municípios seguem incertos entre endurecer as regras — caso do lockdown decretado no Pará e no Maranhão e no megaferiado em São Paulo — ou começar a abrir a economia, como já sinaliza o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, sobre a volta do futebol e a reabertura do comércio.

 

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Inflação, juros e dólar

De toda forma, a crise do coronavírus na economia se desenha cada dia mais deflacionária, devido a queda da demanda e do poder aquisitivo do consumidor. Os economistas consultados pelo Banco Central para o Focus reduziram, novamente, as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, que mede a inflação oficial no país. Com menos demanda de produtos, os preços tendem a não acelerar tanto. A previsão para o indicador saiu de 1,59% para 1,57% no ano, abaixo da meta traçada, que é de 4% e também abaixo da margem de tolerância, que varia entre 2,5% e 5,5% para este ano. Em abril, o resultado do IPCA de abril trouxe deflação de 0,31%, primeira vez na história que o indicador de abril é negativo. Para 2021, a projeção para inflação caiu de 3,30% para 3,25%.

A projeção para o dólar subiu para 5,40 reais ao fim do ano. A moeda americana continua sua escalada e, na última semana, fechou o pregão vendida a 5,57 reais, repercutindo a divulgação do vídeo de uma reunião ministerial de abril, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello. A gravação faz parte do inquérito para divulgar as acusações do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, sobre interferências do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal.

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