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Brasil tem R$ 508 milhões em moedas que não circulam

Uma em cada quatro moedas emitidas desde o Plano Real está depositada em 'cofrinhos' ou está simplesmente perdida

Por Da Redação 23 abr 2012, 16h26

A cada quatro moedas emitidas pela Casa da Moeda desde o início do Plano Real, uma deixou de circular. Pesquisa inédita do Banco Central mostra que atualmente 27% do dinheiro brasileiro em metal está parado: há 5,134 bilhões de moedas fora de circulação. Este volume implica dizer que os brasileiros têm 508,3 milhões de reais depositados em cofres ou perdidos no fundo das gavetas ou no canto do sofá.

“Os números são impressionantes”, diz o diretor de Administração do Banco Central, Altamir Lopes, ao apresentar a pesquisa. Se o BC quisesse emitir todas os mais de 5 bilhões de moedas que deixaram de circular, o Brasil teria de gastar 1,1 bilhão de reais para produzi-las. “Isso é significativo para o país e o custo é pago pela sociedade”, disse.

Altamir explica que aproximadamente 5% de todas as moedas produzidas anualmente saem de circulação porque estacionam depositadas em porquinhos ou simplesmente porque foram esquecidas. Nos Estados Unidos, a taxa do chamado “entesouramento” das moedas é parecido. No México, o número é maior: 10%.

Efeito ‘cofrinho’ – O principal vilão das moedas que sumiram aparentemente é o pacato cofrinho. Apesar disso, Altamir não quis comprar briga com os porquinhos. “O cofrinho é um instrumento importantíssimo para a educação financeira. É uma das primeiras noções econômicas para passar aos filhos.

Mas também é importante que os pais passem o dinheiro para o banco e depositem de tempos em tempos”, sugere o diretor do BC. “Porque a moeda em cofrinho não rende nada. Se estiver na poupança, significa que o poder de compra da moeda será preservado e ainda há um rendimento”, diz. “No cofrinho, não rende nada”.

Notas – A pesquisa revela ainda que a cédula com a pior condição no Brasil é a de 2 reais: cerca de 30% dessas cédulas estão em condição ruim de conservação ou têm algum tipo de avaria, como riscos, furos, fitas adesivas e grampos.

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A primeira pesquisa de qualidade das cédulas confirma que o que brasileiros percebem no dia a dia: as notas de menor valor são as que têm pior condição. Não é só dinheiro com a tartaruga no verso que sofre com a baixa qualidade: 22,4% das notas de 5 reais, com a garça, estão em condições inadequadas para circulação.

Comparação regional – A região Norte do Brasil é a que possui o dinheiro em circulação com a pior qualidade. Fatores climáticos e o menor acesso à rede bancária explicam tal condição. “Evidentemente, na região Norte há uma questão do clima. Além disso, o acesso à rede bancária é menor e o processo de inclusão financeira é baixo. Isso faz com que o dinheiro em circulação demore mais para chegar à rede bancária para ser trocado. Por isso, o dinheiro fica mais tempo na mão das pessoas e a qualidade cai”, explica o Altamir Lopes.

Outra região com deficiência na qualidade do dinheiro é o Nordeste. Neste caso, apesar de o clima não ser úmido como no Norte (o que estraga as cédulas mais rapidamente), o fato de o acesso aos serviços bancários não ser muito amplo também faz com que a saída de circulação do dinheiro de má qualidade seja atrasada.

Durante a apresentação do estudo, Altamir Lopes indicou que o BC mantém a programação para que as novas cédulas de 10 reais e 20 reais da chamada “segunda família do real” – como a das novas notas de 50 reais e 100 reais – sejam lançadas este ano, sem mês definido.

Previstas para o ano passado, as novas cédulas tiveram de ser atrasadas por “aspectos operacionais”, informa o diretor do BC. “O dinheiro tem alta qualidade e precisa ser testado e checado dentro de um padrão muito elevado. As novas cédulas continuam programadas para 2012”, diz Altamir.

(Com Agência Estado)

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