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Brasil tem crescimento nulo no 3T, afetado por crise da dívida na Europa

A economia brasileira registrou um crescimento de 0% no terceiro trimestre do ano na comparação com os três meses anteriores e um avanço de 2,1% em relação ao mesmo período de 2010, uma desaceleração esperada pelo mercado devido à crise com epicentro na Europa, segundo dados oficiais.

Em 12 meses, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro acumula uma alta de 3,7% e nos primeiros nove meses do ano houve um aumento de 3,2%, informou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No segundo trimestre, o PIB do Brasil avançou 0,8% na comparação com os primeiros três meses do ano, e no primeiro trimestre a alta do PIB foi de 1,3%, em relação aos três meses anteriores.

“É difícil que tenhamos um crescimento de 3,8% (em 2011) como vínhamos projetando”, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a jornalistas em Brasília.

O governo brasileiro revisou para baixo várias vezes suas previsões de crescimento para este ano e considera que a economia crescerá 3,5% em 2011 – contra um aumento do PIB de 7,5% no ano passado – em parte graças a uma reativação no quarto trimestre. O mercado projeta um crescimento próximo de 3%.

Para 2012, o governo do Brasil aposta em um crescimento de 5%, impulsionado pela redução das taxas de juros e pelos pacotes de incentivos fiscais e incentivos à indústria. Mantega, no entanto, flexibilizou esta projeção, e disse que o PIB do ano que vem deve ficar entre 4% e 5%.

Segundo Mantega, a desaceleração do crescimento no terceiro trimestre é “passageira” e se deve às medidas adotadas na primeira parte do ano para fazer frente à alta da inflação, que já foram revertidas.

O crescimento nulo em julho, agosto e setembro se deve à crise na Europa e nos Estados Unidos e em parte “ao conjunto de medidas que tomamos para reduzir o ritmo da economia, que estava muito aquecida no ano passado”, disse.

“Encarecemos o crédito, aumentamos a renda, houve um forte aumento da taxa de juros no primeiro semestre do ano passado e as medidas recentes se refletiram meses depois”, disse Mantega.

Segundo o ministro, a economia melhorará ao final do ano. “No quarto trimestre, a economia já está se acelerando porque uma parte das medidas que tomamos (no primeiro semestre) já estão sendo revertidas”, afirmou.

“Não era de se esperar outra coisa se não a queda do PIB agora”, por causa da “política contracionista” implementada pelo Banco Central desde o início do ano, com aumento da taxa de juros no final de agosto e aperto fiscal, considerou em um comunicado André Perfeito, economista-chefe da consultoria Gradual Investimentos.

“Outro fator relevante foi a piora da situação da Zona Euro neste terceiro trimestre, o que impactou em grande medida os investimentos”, acrescentou.

O Banco Central reduziu três vezes consecutivas desde agosto a taxa básica de juros, que chegou a 11% ao ano, para enfrentar os solavancos da crise econômica internacional.

“O Brasil está mais imune e melhor protegido do que outros países dos efeitos da contaminação, das consequências da crise do euro”, considerou na quinta-feira passada em Brasília a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

No terceiro trimestre de 2011, o setor agropecuário cresceu 3,2% em relação ao trimestre anterior, enquanto que os serviços e a indústria tiveram variações negativas, de -0,3% e -0,9% respectivamente, indicou o IBGE.

A agropecuária se destaca também com uma alta de 6,9% no terceiro trimestre de 2011 em relação ao mesmo período do ano passado.

Apesar do crescimento nulo no terceiro trimestre, a alta do PIB de 3,7% em 12 meses “confirma que a economia brasileira se encontra em um ciclo sustentado de expansão, compatível com o equilíbrio interno e externo, e consistente com o cenário de convergência da inflação até 2012”, disse Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, em um comunicado.

Tombini destacou que “a demanda doméstica continua sendo o principal sustento da economia, com um crescimento de 5,4% no consumo das famílias nos últimos quatro trimestres”.

A inflação ficou em outubro a 6,97% em 12 meses, bastante acima da meta oficial de 4,5%, mas com a tendência de queda esperada pelo governo, ante a deterioração da economia internacional.