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Brasil registra déficit em transações correntes de US$ 68,8 bilhões em 2025

Resultado foi beneficiado pelos menores gastos dos brasileiros com apostas online em sites estrangeiros, mas prejudicado pelo menor saldo comercial

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 jan 2026, 09h30 • Atualizado em 26 jan 2026, 09h37
  • O Brasil encerrou 2025 com um déficit acumulado em transações correntes de 68,8 bilhões de dólares. O resultado foi maior que os 66,2 bilhões reportados no ano retrasado, refletindo a queda do superávit comercial. As transações correntes representam o saldo do total de pagamentos e de recebimentos de recursos a cargo do governo, das empresas e dos indivíduos em operações realizadas com parceiros no exterior. Nesta conta, estão incluídos desde os juros que o governo paga por suas dívidas até as exportações e importações de bens e serviços, passando pelos gastos de turistas no exterior e os investimentos diretos feitos por companhias estrangeiras no Brasil.

    Segundo as estatísticas do setor externo divulgadas pelo Banco Central nesta segunda-feira 26, o déficit das transações correntes de 2025 correspondeu a 3,02% do produto interno bruto (PIB). O percentual é praticamente o mesmo dos 3,03% relatados em 2024.

    Em um ano marcado pelo tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quase todos os países, o Brasil viu seu saldo comercial recuar 8,9% e somar 60 bilhões de dólares. Apesar disso, as exportações bateram recorde e somaram 350,9 bilhões de dólares, enquanto as importações alcançaram 290,9 bilhões – também as maiores da série histórica.

    Segundo o BC, a queda do saldo comercial foi parcialmente compensada pelo menor déficit na conta de serviços. No ano passado, essa rubrica somou 52,9 bilhões de dólares. A cifra é 4,1% menor que a do ano retrasado. Um dos destaques foi a legalização dos sites de apostas, as famosas bets. Desde janeiro de 2025, a lei obriga que as bets mantenham empresas no Brasil para explorar o mercado local. De acordo com o BC, a medida contribuiu para que as despesas líquidas com serviços de recreação e cultura recuassem 5 bilhões de dólares.

    Por outro lado, a conta de serviços registrou aumentos de despesas líquidas nas rubricas de propriedade intelectual (mais 2,5 bilhões de dólares), viagens (mais 1,5 bilhão), e serviços de telecomunicação, computação e informações (mais 941 milhões de dólares).

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