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Brasil cresceria 5% ao ano por uma década com ajuste fiscal, diz Paulo Guedes

Para o ex-ministro da Economia, a economia poderia deslanchar se Bolsonaro fosse reeleito em 2022

Por Márcio Juliboni Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 mar 2026, 23h45 •
  • O Brasil poderia crescer até 5% ao ano por uma década com as contas públicas em ordem. A avaliação é do ex-ministro da Economia Paulo Guedes, para quem o país esteve perto de deslanchar no fim do governo Bolsonaro, já que todos os ingredientes estavam à mão. Em 2022, o país superava os fortes impactos da pandemia de covid-19 com um superávit primário de 54 bilhões de reais, equivalente a 0,6% do produto interno bruto – o primeiro em oito anos. A maioria dos governos estaduais também estava no azul e as estatais acumulavam um superávit de 180 bilhões de reais. “Se ganhássemos a eleição, o Banco Central teria que baixar os juros de 2 a 2,5 pontos percentuais por reunião”, disse durante sua participação no Advance, evento promovido pela Farmi Capital em São Paulo nesta sexta-feira 6.

    Em dezembro de 2022, a taxa básica de juros, a Selic, estava em 13,75%, a fim de conter uma inflação que superava os 5%. Segundo o último boletim Focus do Banco Central daquele ano, o mercado projetava uma inflação de 5,31% em 2023, já antecipando que o então presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, abriria os cofres, seguindo o velho hábito de gastar mais do que arrecada. Para Guedes, a reeleição de Jair Bolsonaro derrubaria as expectativas de inflação para perto de 3%, o que obrigaria o BC a acelerar o ritmo dos cortes.

    Nas contas do ex-ministro, naquele momento, 2023 abria com um “crescimento estrutural” do PIB já herdado de 2022 ao redor de 3%. “O corte da Selic acrescentaria outros 2% de crescimento”, explicou. “Com isso, o Brasil poderia crescer 5% por dez anos seguidos, e esse era o caminho da prosperidade em que a gente já estava.”

    Guedes  não perdeu a chance de alfinetar a política fiscal de Lula ao comparar o desempenho do governo Bolsonaro com o do petista. O ex-ministro lembrou que, durante sua gestão, a dívida pública alcançou 80% do PIB devido à pandemia de coronavírus, que dessaranjou a economia global e obrigou a maioria dos países – incluindo o Brasil – a adotar medidas assistenciais de emergência para ajudar quem perdeu sua renda enquanto o isolamento social estava em vigor. Com a reabertura da economia e a contenção dos gastos, Guedes lembrou que a dívida recuou para 70% do PIB no fim do mandato de Bolsonaro. “Voltamos a um resultado fiscal de pandemia, sem pandemia”, disse. “É um feito extraordinário.”

    Guedes evitou se estender sobre a eleição deste ano, mas manifestou confiança de que a aliança entre conservadores e liberais se repetirá neste ano – e com chances concretas de vitória. Para ele, o cenário brasileiro é semelhante ao do Chile. Em dezembro, os chilenos elegeram José Antonio Kast, marcando uma guinada à direita após quatro anos de governo do esquerdista Gabriel Boric. Kast será empossado na próxima quarta-feira, 11. Guedes também apontou a eleição de Javier Milei na Argentina. O ex-ministro observa que, embora Lula concentre os votos da esquerda no primeiro turno, é possível que os eleitores de direita concentrem seu apoio ao candidato que passar para o segundo turno contra o petista. “Temos uns três candidatos de direita que podem comandar algo assim.”

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