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Brasil amplia em 15% cota para importação de trigo de fora do Mercosul

A medida da Camex é uma tentativa de evitar a escassez do produto e diminuir a pressão sobre a inflação

O governo federal ampliou a cota e o prazo para importação de trigo de fora do Mercosul com isenção de tarifária, numa tentativa de evitar o aperto da oferta do produto no país e diminuir o impacto na inflação. A Câmara de Comércio Exterior (Camex) ampliou em 300 mil toneladas o volume que pode ser comprado de países de fora do bloco econômico sem a incidência de 10% da Tarifa Externa Comum (TEC).

Antes do anúncio desta terça-feira, o governo já havia autorizado a compra de 2 milhões de toneladas de trigo de fora do Mercosul com imposto zerado. “A medida foi adotada para não prejudicar o abastecimento do mercado doméstico, em função da quebra da safra na Argentina, nosso principal fornecedor externo”, explicou, em nota, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). A medida também levou em conta a alta do preço do trigo no mercado internacional e os possíveis efeitos sobre a inflação, ressaltou o ministério.

A Argentina é o principal fornecedor de trigo do Brasil, mas a oferta para exportação do país vizinho tem sido escassa nos últimos meses. Para suprir a ausência da commodity na Argentina e outros parceiros do Mercosul, o Brasil tem importado maiores volumes de trigo dos Estados Unidos.

Prazo – A Camex também ampliou para 10 de setembro o prazo para o desembarque do trigo importado de fora do Mercosul sem incidência da TEC. O prazo anterior era 31 de agosto. Na avaliação do empresário Lawrence Pih, presidente do Moinho Pacífico, um dos maiores do país, a prorrogação do prazo deve ter sido acertada entre o governo e alguns moinhos que já têm carregamentos de trigo a caminho do país, mas que não conseguiriam desembarcar a mercadoria até o fim de agosto.

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No entanto, o trigo importado deve chegar ao país antes da safra brasileira, que se intensifica em meados de setembro, lembrou o executivo do Moinho Pacífico. “Faz sentido não prejudicar o produtor nacional”, disse Pih. “Após a quebra da safra no Paraná, a competição com o trigo importado seria um ‘estresse’ financeiro para o produtor.” O Paraná deverá ter uma perda de 26% na safra deste ano, na comparação com a previsão inicial, devido a fortes geadas em julho, segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada na segunda-feira. A colheita está em estágio inicial no estado, segundo dados do governo.

A previsão de colheita para a região – que deve perder a liderança da produção nacional para o Rio Grande do Sul neste ano – está agora em 1,98 milhão de toneladas, ante 2,7 milhões anteriormente. Na avaliação de Pih, a cota total de 2,3 milhões de toneladas de trigo de fora do Mercosul deve ser toda utilizada e haverá pouca demanda para a semente de outros continentes a partir da entrada da safra brasileira. “Talvez tenhamos que importar um pouco de trigo americano, para efeito de mistura, porque é mais apropriado para a panificação”, disse ele, ressaltando que os volumes vão depender da qualidade do trigo do Paraná e do Rio Grande do Sul, o que poderá ser avaliado apenas quando a colheita começar.

Qualquer compra de fora do Mercosul até o final do ano deverá ocorrer com a incidência da TEC de 10%, ressaltou. O executivo estima que a oferta de cerca de 2 milhões de toneladas do Paraná e de 2,5 milhões do Rio Grande do Sul deverá ser complementada com 500 mil toneladas importadas do Paraguai. Este volume deverá abastecer a indústria brasileira até dezembro ou janeiro, quando está previsto o reinício das exportações por parte da Argentina, segundo Pih.

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(com agência Reuters)