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Bolsonaro ameaça publicamente demitir Joaquim Levy do BNDES

Presidente diz que que a `cabeça de Levy está a prêmio há tempos`; pivô da crise, Marcos Barbosa Pinto pede demissão

Por Da Redação - Atualizado em 15 jun 2019, 23h28 - Publicado em 15 jun 2019, 16h20

O presidente Jair Bolsonaro ameaçou publicamente demitir o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Joaquim Levy, se ele não suspender a nomeação do advogado Marcos Barbosa Pinto para a Diretoria de Mercados de Capital da instituição, informou o jornal O Estado de S Paulo. Pinto foi diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.

Ao ser questionado se estava demitindo publicamente o presidente do BNDES, Bolsonaro respondeu: “Você tem problema de audição?”. O BNDES e o Ministério da Economia não se manifestaram sobre a declaração.

Bolsonaro disse estar no seu limite com Levy e e queixou-se de o presidente do BNDES não cumprir o que é acertado – entre os quais a demissão de Pinto. Chegou a declarar que passaria por cima do ministro da Economia, Paulo Guedes, a quem está subordinado o BNDES, para demitir o ex-ministro da Fazenda do governo de Dilma Rousseff. Bolsonaro chamou Levy de “gente suspeita” e disse que ele está com a “cabebeça a prêmio há tempos”.

“Levy nomeou o Marcos Pinto para função no BNDES. Já estou por aqui com o Levy”, disparou Bolsonaro no Palácio da Alvorada, pouco antes de seguir viagem para Santa Maria (RS) para uma cerimônia militar. “Governo tem que ser assim: quando coloca gente suspeita em cargos importantes e essa pessoa, como Levy, já vem há algum tempo não sendo leal àquilo que foi combinado e àquilo que ele conhece a meu respeito. Ele está com a cabeça a prêmio há muito tempo”, completou.

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Bolsonaro deu prazo até segunda-feira para Levy se manifestar. Pinto antecipou-se e encaminhou ao presidente do BNDES, “com pesar”, sua carta de demissão na noite de sábado. “Não quero continuar no cargo diante do descontentamento manifestado pelo Presidente da República com a minha nomeação”, afirmou no texto. “Dada minha experiência, achei que poderia contribuir para implementar as reformas econômicas de que o país precisa. Em especial, era meu desejo trabalhar no fortalecimento e reformulação do BNDES, instituição de enorme importância para o país e pela qual tenho grande apreço. Infelizmente, isso não foi possível”, completou.

A iniciativa, porém, pouco deve interferir na sorte de Levy.

A declaração do presidente disparou as apostas na sucessão de Levy no BNDES. As duas principais opções são Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central que assumiu a presidência do conselho do BNDES neste ano, e Salim Mattar, secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia. Também são mencionados Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do banco, e Solange Vieira, funcionária de carreira do BNDES e atual presidente da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Nesta semana, Bolsonaro demitiu dois importantes colaboradores. Primeiro, o general Carlos Alberto Santos Cruz, então ministro da Secretaria de Governo, na quinta-feira 13, por suas desavenças com o secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten, com o ministro da Casa Civil, Onix Lorenzoni, e com o guru ideológico do governo, Olavo de Carvalho.  No dia seguinte, demitiiu o presidente dos Correios, general Juarez Aparecido de Paula Cunha, por considerar sua atitude típica de “sindicalista”.

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(Com Estadão Conteúdo)

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