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Bolsa registra alta de 15,96% no primeiro bimestre

Apesar da alta, Ibovespa ainda não se recuperou da perda de 18,1% em 2011

Por Da Redação 1 mar 2012, 07h15

Turbulências externas impactam as cotações da Bovespa sobretudo por causa da forte participação de estrangeiros no mercado nacional

A Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) teve o melhor desempenho para o primeiro bimestre do ano desde 1999. Desta vez, o Ibovespa subiu 15,96% de janeiro até fevereiro – em 99, a alta foi de 25,39%. A valorização dos primeiros meses de 2012, no entanto, ainda não superou a perda de 18,1% durante 2011. Ainda assim, especialistas em finanças pessoais já recomendam a venda parcial de ações para que o investidor embolse o lucro obtido até aqui.

Levando em conta apenas fevereiro de 2012, a valorização das ações foi de 4,34%, o que colocou a modalidade na liderança das rentabilidades do mês. A única aplicação que deu prejuízo ao investidor em fevereiro foi o dólar (-1,66%). Desde o início do ano até agora, a moeda americana já perdeu 8,19%.

Diante da atual configuração do ranking das rentabilidades, somada às incertezas sobre o desenrolar dos problemas europeus – que pode impactar diretamente o mercado acionário nacional -, especialistas em investimentos reforçaram as recomendações de venda de parte das ações que o investidor tem na carteira.

“A indicação que estamos dando aos nossos clientes é a venda de cerca de 20% do total que está alocado em ações”, diz Rogério Bastos, diretor da consultoria financeira FinPlan. “Agora, com tamanha alta, quem não está na Bolsa, deve permanecer fora”, frisa o especialista. Bastos explica que sua recomendação está diretamente relaciona às incertezas internacionais. “Tem muita nuvem negra no horizonte”, diz o especialista. “A qualquer momento, a tempestade pode cair e o mercado poderá ter uma reviravolta.”

As turbulências externas impactam as cotações da Bovespa sobretudo por causa da forte participação de estrangeiros no mercado nacional. Rafael Paschoarelli, professor de finanças da Universidade de São Paulo (USP), explica que, se a situação lá fora se complica, a aversão ao risco dos estrangeiros aumenta e, portanto, eles sacam seus recursos alocados em ativos de risco, como a bolsa. O saque maciço derruba as cotações.

Renda fixa – Todas as opções de investimento que integram a renda fixa tiveram ganhos superiores à inflação medida pelo IGP-M (-0,06) em fevereiro. Os fundos de renda fixa e os CDBs com aplicação maior que R$ 100 mil renderam 0,64% no segundo mês do ano. Os fundos DI renderam 0,59% também em fevereiro. A caderneta de poupança, como esperado, subiu 0,50% no período. “Mas preocupa a evolução da inflação nos próximos meses e a queda forte dos juros”, comenta Fábio Colombo, administrador de investimentos. A taxa básica de juros (Selic) está em queda e a expectativa do mercado é que o movimento continue até, pelo menos, o fim deste ano. Com isso, a rentabilidade da renda fixa ficará cada vez menor – já que a Selic é um dos principais componentes da fórmula que calcula esses rendimentos.

A comparação dos ganhos das modalidades da renda fixa em fevereiro deste ano com o mesmo mês do ano passado já mostra o impacto da redução da Selic na rentabilidade. Os fundos de renda fixa, por exemplo, que renderam 0,64% no mês passado, ganharam 0,76% em fevereiro de 2011. A Selic, que hoje está em 10,5% ao ano, estava, na época, em 11,25% ao ano.

Outro ponto salientado por especialistas, e que também é fruto da redução do juro, é que a poupança passa a ficar mais competitiva diante de alguns fundos de investimento quando a Selic atinge um dígito. Isso ocorre porque a caderneta não tem custo ao investidor nem incidência de IR. Os fundos têm taxa de administração e IR, o que corrói a rentabilidade. “Precisa colocar na ponta do lápis para ver se a poupança não está mais vantajosa”, diz Colombo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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