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Berlusconi promete reforma; oposição pede novo governo

Por James Mackenzie

ROMA (Reuters) – O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, repetiu nesta terça-feira as promessas de realizar reformas econômicas em meio à pressão sobre os bônus do país por causa da crise na zona do euro e com o pedido da oposição de centro-esquerda para o presidente nomear um novo governo.

Com os mercados sofrendo com a decisão inesperada do primeiro-ministro grego, George Papandreou, de realizar um referendo sobre as medidas de austeridade exigidas pela União Europeia, os bônus italianos foram afetados por uma nova rodada de vendas.

O rendimento dos bonus BTP de 10 anos subiu para 6,34 por cento, um nível insustentável bem perto do ponto atingido em agosto, quando o Banco Central Europeu atuou no mercado comprando títulos da dívida italiana.

O prêmio de risco sobre os Bunds alemães subiu para 450 pontos-básicos, o maior spread desde a criação do euro há mais de uma década, enquanto o índice de ações FTSE MIB, composto por bluechips, caía 6,8 por cento, em meio a fortes vendas nos papéis de bancos.

Berlusconi afirmou que vai delinear as reformas prometidas aos parceiros da UE no encontro de líderes do Grupo das 20 potências econômicas (G-20), na quinta-feira, em Cannes, e prometeu que o programa será implementado com a “determinação, rigor e velocidade que a situação exige”.

Contudo, o principal partido de oposição de centro-esquerda repetiu os pedidos para que Berlusconi renuncie, afirmando ter solicitado ao presidente Giorgio Napolitano que nomeie um novo governo imediatamente.

“Estamos apontando para a necessidade – que agora se tornou urgente, uma questão de minutos – de uma mudança política para enfrentar a tempestade”, disse Enrico Letta, uma das lideranças sêniores do Partido Democrático, em comunicado.

“A Itália está despreparada para lidar com a crise”, afirmou ele, acrescentando que um novo governo deveria ser nomeado antes da reunião do G-20.

CRISE

Com a Grécia enfrentando o risco crescente de um default que poderia desestabilizar a zona do euro, a Itália, terceira maior economia do bloco, está agora no centro da crise.

Muito grande para receber um resgate caso seus custos de empréstimo fiquem fora de controle, a mistura de crescimento lento e dívida pública montanhosa equivalente a 120 por cento do Produto Interno Bruto representa uma ameaça para a sobrevivência da moeda única.

Na semana passada, o Tesouro foi forçado a pagar um rendimento recorde de 6,06 por cento em um leilão de bônus de 10 anos, um nível que acrescenta bilhões aos pagamentos já pesados nos próximos anos se não cair.

O BCE interveio novamente na terça-feira para comprar bônus italianos, mas os rendimentos continuam subindo para níveis próximos a 7 por cento, com muitos analistas temendo que isso possa provocar uma chamada “greve de compradores”, em que se torna difícil vender novos bônus.

Berlusconi, envolvido em escândalos e lutando para conter as divisões em sua coalizão de centro-direita, prometeu novas reformas, como regras mais fáceis para demissão de funcionários excedentes, inclusive funcionários públicos, e aumento na idade de aposentadoria.

Há um ceticismo propagado sobre o alcance e o momento das medidas, mas ele tem resistido aos pedidos de grupos como a oposição, sindicatos, líderes empresariais e até a Igreja Católica, para que renuncie.

Berlusconi também sobreviveu aos repetidos votos de confiança no Parlamento, mas há crescente especulação de que o governo vai cair nos próximos meses, levando a eleições na primavera, período em que as eleições costumam ser realizadas na Itália.

A economia italiana, que teve um dos crescimentos mais lentos no mundo na última década, enfrente risco crescente de recessão no próximo ano. Na segunda-feira, dados de desemprego mostraram que um terço dos jovens está sem trabalho.

(Reportagem adicional de Valentina Za)