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BCE: risco ao sistema financeiro cresceu no 2 semestre

Por Eva Kuehnen

FRANKFURT, 19 Dez (Reuters) – O Banco Central Europeu (BCE) alertou nesta segunda-feira que os riscos à estabilidade financeira na zona do euro cresceram consideravelmente no segundo semestre deste ano, apontando de forma mais clara para a preocupação com os crescentes efeitos de contágio a partir da crise de dívida e de dificuldades dos bancos em se financiarem.

O banco central da zona do euro, que reúne 17 países, disse que, no pior cenário, a economia global poderia voltar à recessão, o que golpearia o já fraco setor bancário. O BCE informou que o risco de dois grandes bancos não honrarem seus compromissos no próximo ano cresceu ao nível mais alto desde que as medições começaram, há quatro anos.

Em seu Relatório de Estabilidade Financeira, que é semestral, o BCE disse que “a crise de dívida soberana e seus efeitos sobre o setor bancário pioraram num ambiente de enfraquecimento das perspectivas de crescimento macroeconômico”.

“Ultimamente, a transmissão das tensões entre os soberanos, entre os bancos e entre os dois intensificou-se para assumir proporções de crise sistêmica não vistas desde o colapso do Lehman Brothers três anos atrás”, informou o relatório.

O BCE elencou quatro riscos principais: o potencial para mais intensificação do contágio, as dificuldades de financiamento do mercado, um aumento nos riscos de crédito a bancos junto com uma desaceleração econômica, e uma abrupta disseminação dos desequilíbrios globais.

“A possibilidade de que mais países da zona do euro, como consequência, enfrentem dificuldades para financiarem suas dívidas permanece entre os maiores riscos à estabilidade financeira da zona do euro”, disse o BCE.

O BCE está cada vez mais preocupado com o impacto da crise de dívida sobre os bancos e destacou que as chances de dois grandes bancos colapsarem ao mesmo tempo é maior do que em qualquer momento desde que as medições dessa probabilidade foram introduzidas, antes de o Lehman Brothers quebrar.

“O aumento nos últimos seis meses da probabilidade de dois ou mais LCBGs (grandes grupos bancários) declararem default é mais forte e maior do que no passado, levando esta medida do risco sistêmico a máximas não observadas desde sua introdução, em 2007”, mostrou o relatório.

(Reportagem adicional de Sakari Suoninen e Marc Jones)