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BC revisa PIB de 2011 de 3,5% para 3%

Projeção para inflação no ano ficou em 6,5%

Por Da Redação 22 dez 2011, 07h56

Para 2012, o BC projeta um crescimento de 3,5%. A previsão também supera a estimativa de mercado, de 3,4%

O Banco Central (BC) revisou nesta quinta-feira para 3% a projeção de crescimento da economia brasileira em 2011. A informação consta no Relatório de Inflação do quarto trimestre do ano. O valor é 0,5 ponto porcentual inferior à última estimativa da autoridade monetária, em setembro, que havia sido de uma expansão de 3,5% este ano.

Assim como na última publicação, o BC explica que a revisão para baixo ocorreu em razão das ações contracionistas implementadas pelo governo desde o fim de 2010. Ainda assim, a previsão da autoridade monetária é mais otimista que a do mercado, que na última pesquisa Focus apontou um crescimento de apenas 2,9% em 2011. Já o Ministério da Fazenda projeta o cenário mais positivo de todos, com uma expansão de 3,8% este ano.

A autoridade monetária considera que a moderação no ritmo de crescimento da economia reflete as medidas de contração implementadas desde o fim do ano passado, cita a redução em 0,7% no consumo do governo no terceiro trimestre do ano. Para o BC, essas medidas são potencializadas pela deterioração do cenário econômico global a partir do terceiro trimestre deste ano.

Segundo o relatório, a volatilidade e a aversão global ao risco estão em níveis bem altos e os riscos para a estabilidade financeira mundial se ampliaram. Entre os motivos está a forte exposição dos bancos globais à dívida da zona do euro.Para o BC, o cenário econômico global apresentou deterioração nos últimos meses, e as condições mais restritivas no exterior tendem a permanecer por mais tempo do que se previa.

Para 2012, o BC projeta um crescimento de 3,5%. A previsão também supera a estimativa de mercado, de 3,4% (Focus), mas é bem inferior aos 5% citados pela presidente Dilma Rousseff como meta e defendidos pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. De acordo com a autoridade monetária, a projeção divulgada contempla uma “aceleração da atividade entre o primeiro e o segundo semestre do próximo ano”.

Inflação – O BC revisou também sua projeção de inflação em 2011, no cenário de referência, para 6,5%. O valor é 0,1 ponto porcentual superior à previsão anterior de 6,4% da autoridade monetária para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) este ano. O cenário de referência do BC considera a manutenção do dólar a 1,80 real e da taxa Selic em 11% ao ano durante todo o horizonte de previsão.

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Se a estimativa se confirmar, o governo terá conseguido manter a inflação dentro do teto da meta em 2011, cujo centro é de 4,5%, mas com um intervalo de tolerância de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos. Desta forma, o presidente do BC, Alexandre Tombini, não precisará enviar uma carta ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicando um descumprimento dessa missão da autoridade monetária.

O documento pondera, no entanto, que as chances de a inflação em 2011 superar o teto da meta, de 6,5%, ainda são de 54% no cenário de referência. O valor é superior à probabilidade de 45% prevista no relatório anterior.Já o mercado acredita que a inflação deve sim estourar a meta e encerrar o ano em 6,52%, segundo a última pesquisa Focus.

Salários – O Banco Central avalia também que o crescimento da massa salarial real deve continuar beneficiando o comércio, bem como a disponibilidade de crédito para as famílias e sua expansão moderada. Já a demanda externa tem contribuído apenas modestamente para o crescimento da quantidade exportada. Por outro lado, o documento destaca que novos investimentos previstos para 2012 devem impulsionar a formação bruta de capital fixo (FBCF) nos próximos trimestres.

Revisão de índice – O Relatório de Inflação trouxe a revisão da metodologia de cálculo do Índice de Commodities Brasil (IC-BR), que identifica o peso dos preços internacionais dessas mercadorias na inflação doméstica. Entre as principais mudanças está a ampliação da amostra utilizada para calcular os pesos, de cinco para oito anos, além da adoção de um sistema de pesos móveis para compensar as alterações nos preços relativos ocorridas no mês anterior.

A autoridade monetária também passa a considerar o arroz dentro do segmento de commodities agropecuárias e estende a série história do IC-BR até janeiro de 1998.

Segundo o documento, a revisão da metodologia apresenta uma correlação com a inflação cerca de 30% maior do que a obtida pelos critérios anteriores. Com isso, a atualização do cálculo do indicador “proporcionou importante ganho de eficiência na identificação dos impactos que as variações nos preços das commodities nos mercados internacionais exercem sobre a dinâmica do IPCA”.

(Com Agência Estado e Reuters)

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