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BC poderá tomar novas medidas para conter inflação, diz Tombini

Presidente do BC reafirmou que nível inflacionário é preocupante e que seu crescimento pode causar distorções na economia

Por Naiara Infante Bertão - 22 mar 2013, 16h47

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, reiterou, na tarde desta sexta-feira, preocupação com a expansão inflacionária e disse que outras medidas poderão ser necessárias para garantir a estabilidade de preços. “Ações foram tomadas, mas é plausível afirmar que outras poderão ser necessárias. Para decidir sobre isso, o Banco Central acompanhará a evolução do cenário macroeconômico”, afirmou, sem dar detalhes de quais poderiam ser as novas medidas.

Tombini, que esteve presente em evento da Câmara de Comércio França-Brasil, voltou a constatar o óbvio. Disse que o crescimento da inflação pode causar distorções na economia, tais como redução do potencial de crescimento e aumento do prêmio de risco do país. Afirmou ainda que, apesar de acreditar que as medidas tomadas pelo governo para conter a escalada de preços surtirão efeito em breve, o BC não descarta novas mudanças nos ciclos monetários. Sua fala abre, mais uma vez, espaço para economistas apostarem em mudança na taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em abril.

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Na ata da última reunião do comitê, a menção a taxas de juros baixas “por um período de tempo suficientemente prologado” foi tirada. “Não resta dúvida de que a comunicação é parte importante do processo de condução da política monetária. O ajuste na mensagem do Banco Central, por si só, já determinou mudança relevante nas condições financeiras de modo geral”, disse Tombini.

Ainda no documento, o BC piorou suas projeções para os preços ao consumidor tanto para este ano quanto para 2014. “Para 2014, a projeção de inflação aumentou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de janeiro e se encontra acima da central da meta, em ambos os cenários”, informou o comitê, no documento.

Assim, a taxa atual, que é a mínima histórica de 7,25%, não deve ficar assim por muito tempo. Os analistas ouvidos pelo BC para o relatório Focus desta semana já trabalham com uma Selic em 8,25% no fim do ano. Nesta sexta-feira, a primeira medição do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), considerado prévia da inflação oficial, mostrou que os preços continuam em franca aceleração. O índice subiu 2,06% no acumulado de janeiro a março, bem acima dos 1,44% registrados no primeiro trimestre do ano passado.

Indagado sobre o câmbio, o presidente do Banco Central disse que não há uma taxa ideal, mas que o BC tem o papel de intervir nos mercados quando achar que algo está errado. Especificamente no mercado de câmbio, ele poderá intervir “para evitar volatilidade excessiva”. Ele disse ainda no evento que o Brasil está passando por uma recuperação gradual da economia e que o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer em torno de 4% este ano.

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