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Bancos terão custo extra bilionário para pagar o calote do Master, diz Moody’s

São as outras instituições que terão que repor as perdas causadas ao FGC, o que, na conta da agência, pode custar até R$ 55 bilhões para elas

Por Juliana Elias Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 jan 2026, 12h42 • Atualizado em 23 jan 2026, 12h57
  • O buraco aberto no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) depois da quebra do Banco Master, em novembro, deve exigir aportes extras relevantes dos demais bancos para cobrir o prejuízos, o que implica em um aumento não desprezível de custos para eles, na avaliação da agência de classificação de riscos Moody’s.

    A conta da agência é que os valores adicionais para cobrir o rombo deixado no FGC possam chegar a 55 bilhões de reais. No entendimento da Moody’s, porém, as instituições vivem um bom momento de liquidez, e os desembolsos para recompor o fundo serão “administráveis” e “não representam riscos sistêmicos” de crise. Ela também não fez alterações nas notas de crédito dos principais bancos, já que entende que os desembolsos adicionais não afetam o seu nível de solidez, quer dizer, a sua capacidade de continuar pagando seus correntistas e credores.

    O FGC é um fundo privado e funciona como uma espécie de seguro para os clientes, pago pelos bancos associados. O fundo devolve parte do dinheiro perdido de investidores e correntistas em caso de quebra e calote dos bancos. As contribuições são proporcionais ao tamanho da instituição no mercado, e não são divulgadas, mas a Moody’s destaca que só os seis maiores bancos respondem por 75% dos depósitos e aplicações do mercado que são elegíveis a um eventual reembolso do fundo. São eles o Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Santander, Caixa Econômica Federal e BTG Pactual. As contribuições de cada, portanto, devem ser similares a essas proporções.

    Apesar de ser um banco de porte menor, o Master reuniu um prejuízo calculado em 40,6 bilhões de reais a ser pago pelo FGC, o que vai drenar um terço dos 120 bilhões de reais que o fundo tinha em caixa.  O volume grande vem da estratégia agressiva do Master, que ficou conhecida no mercado, de oferecer CDBs e outras aplicações com remunerações bem maiores do que a média do mercado. Envolvido em fraudes e sem dinheiro para pagá-los, o banco foi fechado pelo Banco Central no fim do ano passado. Na prática, o prejuízo deixado pelo Master aos seus investidores será coberto pelos outros bancos, por meio do FGC. Os reembolsos começaram a ser pagos fundo no começo desta semana.

    Os 40,6 bilhões de reais do Master se somam, ainda, aos 6,3 bilhões de reais que o FGC também precisará devolver aos clientes do Will Bank, braço digital do Master também liquidado pelo Banco Central nesta semana. “Os reembolsos combinados das duas instituições vão corroer significativamente os recursos do FGC, criando um custo para todo o setor que, na nossa visão, é administrável”, disse a Moody’s em seu relatório.

    A conta da Moody’s é que, para aumentar as reservas do FGC de volta ao seu nível mínimo de segurança, que é de um valor que equivalha a 2,5% de todos os depósitos, em todos os bancos, cobertos pelo fundo, as contribuições adicionais dos associados deveriam somar 55 bilhões de reais. “Quando os recursos do FGC caem abaixo de 2,5% da cobertura mínima sobre os depósitos segurados, o fundo pode acionar ferramentas regulatórias para reconstruir sua liquidez”, explica a Moody’s. “Elas incluem a antecipação de contribuições futuras, feitas de forma proporcional ao volume de captação coberta de cada membro, e a aprovação de taxas adicionais temporárias.” Em tempos normais, os bancos pagam uma taxa mensal de 0,01% de seus depósitos segurados.

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    Essa conta de 55 bilhões de reais, na prática, reduz a liquidez dos bancos, quer dizer, tira recursos livres que eles teriam para novos empréstimos, por exemplo, para que sejam aportados ao FGC. A estimativa da Moody’s é que, eles poderiam perder, em conjunto, até 8 bilhões de reais ao ano, o equivalente a 2% do faturamento do sistema, considerada a receita líquida de juros reportada nos 12 meses até setembro. “A redução da liquidez dos bancos também pesará sobre a renda de investimentos”, diz a Moody’s, que avalia que o FGC deve decidir por cobrar esses valores a mais de maneira gradual, com taxas adicionais temporárias.

    “Embora as duas liquidações bancárias possam tornar os investidores mais avessos ao risco em relação a bancos de médio porte nas próximas semanas ou meses, a forte liquidez doméstica atualmente presente nos mercados de capitais do Brasil provavelmente ajudará esses bancos a cobrir suas necessidades futuras de liquidez”, avaliou. “A esperada moderação na originação de crédito este ano também reduzirá as pressões de liquidez e as necessidades de captação dos bancos médios, em meio ao menor sentimento empresarial e às incertezas relacionadas ao crescimento econômico mais fraco esperado para este ano.”

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